quinta-feira, fevereiro 29, 2024

Os das perceções

A "perceção de insegurança" é um instrumento populista que equivale a essa falcatrua regularmente explorada por demagogos que é a "perceção de corrupção". A única medida justa, num como no outro caso, são as estatísticas das condenações. Mas isso não dá jeito nem títulos!

8 comentários:

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

Tal e qual. Aqui para os meus lados parece que também anda meio mundo preocupado com um suposto aumento da criminalidade, naturalmente por culpa do estrangeiro.

Que eu me lembre sempre tive recomendações quanto ao andar pela cidade a certas horas...

Erk disse...

A percepção é a de uma geração, a do 25 de Abril, que se serviu à farta e deixa o que se vê às gerações seguintes.

Casos e mais casos de corrupção, amiguismo e de "quem se mete com o PS, leva", a começar pela justiça. Mas não é só o Partido socialista. Todo o centro é um gigante centro de emprego para boys e amigos. Quem é que consegue levar um negócio ou uma grande empresa para a frente neste país sem ter uns jobs atribuídos a gente do partido certo?

Também não podemos confiar numa esquerda alucinada, refém de uma ideologia que se provou falida algures no século passado que sobrevive à base de soundbytes ridículos e falta de respeito pelo resto, a quem chamam fascistas com a maior facilidade. Não levo a sério partidos que esperam votos de animais.

Não se preocupe, também não tenho o menor respeito pelo Ventura, que a arregimentar néscios com outros soundbytes e a lançar bujardas do tempo da outra senhora, irresponsáveis que provam que jamais estarão prontos para formar governo.

Ninguém de bem vai para a política. Não vão para servir o país, mais do que para se servirem a eles próprios.

Estamos entregues aos bichos.

E a abstenção vai subir, porque já ninguém se revê neste caldo que cheira mal, muito mal.

Anónimo disse...

Nos dias de hoje parece que poucos percebem que os políticos são pessoas como as outras e não sacerdotes nem anjos. E que estão lá para lutar e vencer e não para desprezar o poder. Como toda gente faz em qualquer actividade, excepto os incapazes.
Um político pode ter amigos ou isso é corrupção? Pode dar os bons dias ou não deve sorrir para ninguém?
Uma coisa é certa: o Portugal de hoje não tem nada a ver com o de antes do 25 de Abril e conseguimos fazer coisas que muitos países europeus levaram muito mais tempo a conseguir.
Quanto à percepção, tenho uma opinião diferente da do Senhor Embaixador. Porque o que decide em quem votar é a percepção e, geralmente, não é a realidade. Daí a importância que os media têm: ajudam muito ac criar uma percepção.
Zeca

Carlos Antunes disse...

Totalmente de acordo com a sua ideia das "percepções” de insegurança, de corrupção, como instrumentos populistas exploradas por demagogos, políticos, mas não só …
Ainda no noticiário da SIC Noticias (27/02) reportando-se ao discurso de Passos Coelho em Faro sobre a ligação entre imigração a insegurança, Bernardo Ferrão dizia que "Passos Coelho fala de um sentimento de insegurança", mas que isso "não é visível em nenhum relatório, em dados objectivos". Aliás, acrescentava BF, "todos os dados objectivos mostram que a segurança e a criminalidade, até com mais imigrantes, baixou."
Ao que o pivot Rodrigo Guedes de Carvalho contrapôs:
“Mas a questão dos números não explica tudo. Vamos falar da pobreza: a Caritas diz que os números não reflectem a realidade. Quando se fala de violência doméstica, as associações de defesa da vítima dizem: Mas os números oficiais não reflectem a realidade porque há muita gente que não faz queixa. Responde-se a esta sensação de insegurança só com números?” (SIC Noticias de 27 de Fevereiro).
RGC, depois de uma absurda comparação dos números da insegurança com os da pobreza e as mulheres vítimas da violência doméstica, acredita na existência de crimes cometidos por imigrantes que as estatísticas não revelam.
“Contra factos não há argumentos”, diz-se. Pelos vistos, a SIC tem-se dedicado nesta campanha eleitoral a criar uma nova asserção “Contra factos cria-se a percepção nos telespectadores de uma outra realidade”, sendo o jornalismo de referência (???) da SIC pautado igualmente por sensações populistas!!!

Eduardo disse...

Hoje aprendi que Alexandre o Magno foi um basileu extraordinário. Sabiam que estabeleceu que a Hélade estivesse sempre aberta a todas as nações precisamente por ter uma intuição sobre como a diferença e todo a demais eclesiástica, unida, fortalecia a genética dos povos?
Alexandre o Magno é mais avançado do que pessoas que nos governaram.

afcm disse...

Para além ou antes das "estatísticas das condenações", importa sobremaneira o número real dos crimes consumados ou tentados. Nem todos os crimes são objecto de condenação ( aliàs, em matéria de crimes contra a segurança penso que a percentagem entre uns e outra é normalmente menor).

Nuno Figueiredo disse...

das condenações... pois, e eu acredito no pai natal.

Carlos disse...

Permitam-me acrescentar uma breve observação … é que na narrativa conspirativa que serve de base ao discurso de Venturas e afins há ainda o pretenso facto de “as condenações são poucas porque a lei protege os corruptos” sim por isso é “ os da Madeira ( ou os influencers) foram todos libertados”. O sistema está todo as serviço “deles”.

Ora na minha experiência pessoal em cerca de 60 anos nunca fui directamente confrontado com um caso ostensivo de corrupção embora aqui e ali tivesse ficado perplexo com as dificuldade na resolução de alguns diferendos com entidades públicas. Sobretudo o que sobressaía era a inépcia de muitos agentes públicos, a incapacidade de tomar decisões, o temor reverencial do chefe e ocasionalmente a má fé que servia para proteger os interesses da corporação. Posso dar exemplos de cada uma destas situações mas não cabem aqui.

Carlos Antunes

Há uns anos, escrevi por aqui mais ou menos isto: "Guardo (...) um almoço magnífico com o Carlos Antunes, organizado pelo António Dias,...