Como todos sabemos, um pouco por todo o país, muitos restaurantes cavalgaram, quase subitamente, o tempo de inflação para colocarem os seus preços a níveis exagerados, aumentando, de paralelo, as suas cartas de vinhos. Conheço casos escandalosos, quase obscenos. Mas, enquanto a onda turística e a bolsa mais abonada de alguns lhes der alento ao exagero, e porque a vida é deles, que lhes faça bom proveito.
Há, contudo, casas de restauração onde o bom senso prevalece e, não sendo restaurantes baratos, o nível de preços, atenta a sua objetiva qualidade, segue razoável e sensato. Vou dar dois exemplos, tirados da minha experiência e gosto pessoal, que admito tão subjetivos como qualquer outros.
O primeiro é o "Salsa & Coentros", talvez o restaurante lisboeta que me aflora de imediato à memória quando penso em comer bem. Situado em Alvalade, não longe do LNEC e da Avenida da Igreja, é um pouso seguríssimo, sob a mão experiente do Duarte, com um serviço profissional irrepreensível.
O segundo é uma casa um pouco menos conhecida, mas de muito boa qualidade: o "Raposo", na Rua Passos Manuel, a dois passos do Jardim Constantino. Menos glamouroso que o anterior em termos de espaço, tem um atendimento de primeira qualidade, serve lindamente e nunca de lá saí desiludido.
Ambos os restaurantes mantêm os seus preços, sempre na sua tradicional excelente relação com a qualidade, a níveis sensatos e, a meu ver, bastante aceitáveis. Por quanto tempo, não sei. Por ora, são um magnífico exemplo. E os bons exemplos devem destacar-se.

