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segunda-feira, outubro 02, 2023

Dissídios

Há por aí uma pequena confusão na análise dos dissídios europeus. Convém, assim, separar as águas. Os governos polaco e húngaro têm vindo a mostrar, desde há anos, comportamentos inconformes com os tratados europeus, em especial pela falta de respeito pela separação de poderes e outras "malfeitorias" anti-democráticas. Por essa razão, vivem sob escrutínio das instâncias comunitárias competentes. Curiosamente, a Polónia é ferozmente anti-russa (embora tenha tido um recente e pontual conflito cerealífero com a Ucrânia) e a Hungria é precisamente o contrário (embora com idêntico problema com Kiev). Surge agora, no mercado da polémica, o caso da Eslováquia, por coincidência também com um conflito com a Ucrânia por virtude dos cereais. Se, como tudo o indica, um futuro novo governo eslovaco vier a mostrar-se mais favorável a Moscovo e mais distanciado do apoio europeu maioritário à Ucrânia, nomeadamente opondo-se à entrada desta na NATO, a Eslováquia em nada incumprirá com os tratados europeus. O facto de não gostar do governo de Zelensky não tornará o novo líder popular junto da maioria dos parceiros europeus, mas, até prova em contrário, não o faz incorrer em qualquer ilegalidade face ao normativo comunitário. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. 

É a vida!

Pode ser que seja apenas "wishful thinking", mas fiquei ontem com a sensação de que André Ventura já se está a ver, daqui a semana...