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segunda-feira, outubro 30, 2023

José Carlos Megre


Morreu o José Carlos Megre, soube agora. Nos últimos "jantares da Dois", a comezaina anual dos "80" que se sentavam na Mesa Dois do bar Procópio - uma lista fixada pelo Nuno Brederode Santos, cujas convocatórias geri por mais de uma década, até que tudo acabou, como afinal tudo sempre acaba -, o José Carlos não falhava. Trazia com ele o sorriso irónico que era o seu, aquele ar de "bom malandro" e excelente conversador que sempre foi.

O país fixou-o desde 1975, quando constituiu, com Joaquim Letria, a dupla de jornalistas que orientou o mais célebre debate do mundo mediático português, entre Mário Soares e Álvaro Cunhal, durante o qual o líder comunista retorquiu com o hoje clássico "Olhe que não! Olhe que não!". 

Um dia, lá por 1988, para minha surpresa, fui dar com o José Carlos em Argel, onde dirigia a delegação do então ICEP. Depois, com ambos andando por lugares de vida diversos, ia-o encontrando a espaços, muitas vezes em noites no Procópio, em belas conversas que tinham o Nuno como maestro.

Católico "progressista", tinha assinado o famoso manifesto "dos 101", documento-chave na mobilização do catolicismo anti-salazarista. Em 1969, esteve na lista lisboeta da CEUD, como candidato a deputado. Depois, foi com Jorge Sampaio para a Câmara de Lisboa, trabalhou na Lisboa - Capital europeia da Cultura e teve várias outras funções públicas e privadas, onde a sua seriedade e competência foram uma sua imagem constante de marca.

Pronto! Mais um que parte! 

É a vida!

Pode ser que seja apenas "wishful thinking", mas fiquei ontem com a sensação de que André Ventura já se está a ver, daqui a semana...