segunda-feira, agosto 22, 2022

Arrumem a cabeça!

Depois da visível fúria de Putin, pelo atentado contra a filha do ideólogo russo de extrema-direita, deve ir uma grande confusão na cabeça de muitos: Putin é “comuna” e da extrema-esquerda ou é “facho” e de extrema-direita? Próximo do PCP e do Chega ao mesmo tempo? Decidam-se!

12 comentários:

  1. Não foi um "atentado", foi um assassínio.

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  2. manuel campos02:26


    A cabeça arrumada pressupõe que a pessoa saiba que entre o preto e o branco há uma infinidade de tons de cinzento e portanto localizar-se na faixa intermédia que considera a mais correcta face aos conhecimentos que tem e às análises que faz, com a "margem de segurança" para manter a procura da verdade que seja possível.

    Sem conhecimentos e sem análise, a que se junta uma verticalidade duvidosa, é tudo ou preto ou branco pois é o caminho óbvio para não se ter como única argumentação "não sei".
    A juntar a isso outros vão pelo branco e outros vão pelo preto "levados, levados sim pela voz de (algum) som tremendo", em resumo pelo que lhes dizem ser o caminho certo que devem seguir.

    O problema é que surgem situações como a que estamos a viver e é uma chatice pois de vez em quando tudo se baralha sem pré-aviso (e vai continuar a baralhar).
    Nada de grave pois cada vez mais a enorme maioria das pessoas sabe que "tout passe, tout casse, tout lasse".

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  3. João Cabral08:46

    Grande novidade haver uma figura que congrega ambos os extremos, senhor embaixador. Depende do ponto de vista.

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  4. Quaisquer que sejam as definições de esquerda e de direita, é evidente que Putin é de extrema direita, o que deve efectivamente gerar confusão em muitas cabeças que por aí cogitam… O facto de estar em guerra contra outro indivíduo que também pode ser considerado de extrema direita aumenta essa confusão.

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  5. Parece que realmente foi um assassinato. Enganaram-se foi no alvo, iam por um homem e mataram-lhe a filha. Que esperar das baratas tontas da CIA e do amigo zelérias que anda a despejar obuses em cima da maior central nuclear do mundo? Enfim, parem isto, entre pandemias e a crise climática mais terrível desde que o homem é homem, já chega, cedam, parem, entreguem a merda do território, salvem a face, façam um "deal" com os russos e entendam-se; isto não interessa a ninguém e tem de parar.

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  6. Reaça10:59

    Quantas vítimas inocentes, meu-deus!

    Só que esta parece que não era assim tão inocentinha, teve bom professor, pelo que consta, sabia o que dizia.

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  7. Ao longo das últimas décadas (particularmente desde o final dos anos setenta do século XX, mas com incremento exponencial a partir da derrocada do chamado Bloco de Leste), uma das ideias capitulares inscrita na matriz desenvolvimentista do sistema capitalista internacional, albergou-se, segundo um designativo que, qual Cavalo de Tróia, atravessou o mundo académico e jornalístico, até viver beber copos com o povo em qualquer tasca da esquina: em vez de impérios, tínhamos agora o mundo novo da globalização. Naturalmente que como muitos sabiam e alguns outros suspeitaram, as relações decorrentes desse mundo globalizado não poderiam ser nem seriam, relações simétricas nem equitativas. As ideias de patriotismo, nacionalismo e quejandas, foram por isso necessariamente cunhadas com o opróbrio e o anátema da sua vergonhosa condição: retrógradas, impeditivas do caminhar da Humanidade para o seu destino comum, que seria feliz e de progresso e bem-estar partilhados. No caso da União Soviética e da Rússia que lhe sucederia em larga medida, qualquer História breve nos dá conta de quem foram os principais agentes operacionais quer da insuflada e exitosa mudança histórica (onde andará Gorbachev, por estes dias), quer da gestão do caos que se lhe seguiu com o defunto Ieltsin a ombrear, lamentavelmente, com os mais risíveis e caricatos personagens, ao mesmo tempo que, com a cumplicidade silente e conivente do "mundo ocidental", nasciam, para benefício de uns e outros, sobre os escombros da derrocada, todos os agora invectivados oligarcas. O desenvolvimento das sociedades humanas é sempre o fruto das grandes dinâmicas colectivas; mas só por ingenuidade se pode desprezar o papel que nelas cabe a personagens individuais que, pelas suas circunstâncias particulares, contribuem, de modo insofismável, para o estabelecimento de uma certa linha de rumo. Putin, segundo tudo o que nos é dado saber de modo público e objectivo, é um nacionalista convicto, que hoje dirige uma das maiores potências mundiais, convertida inequivocamente numa economia capitalista desde os anos 90. Aquilo que a globalização ocidental não perdoa nem pode perdoar, ao poder político Russo e aqueles que lhe dão rosto, não é pois a sua fidelidade à economia de mercado e aos seus princípios, mas tão somente a insubmissão e o desaforo, de uma nação e de um regime, que tendo (re)nascido com a sina de se curvarem à passagem do Suserano, agora insistem em querer estar de pé.

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  8. Caro Embaixador
    A dificuldade da classificação de Putin como “comuna” ou “facho” resulta da evolução dos conceitos de extrema-direita e extrema-esquerda.
    Historicamente a extrema-direita era utilizada para descrever as experiências do nazismo e fascismo. Hoje, dilui-se pelo neofascimo, neonazismo, direita alternativa, supremacia branca e outras ideologias professadas por partidos ou organizações políticas com visões ultranacionalistas e ultraconservadoras.
    Por outro lado, a extrema-esquerda era entendida historicamente, por uns como à esquerda da social-democracia (dos partidos socialistas), enquanto outros a estendiam à esquerda dos partidos comunistas, restringindo-a às organizações de que tentavam realizar os seus ideais radicais e provocar mudanças através da violência, à revelia de processos políticos estabelecidos. Actualmente, ao que parece, e em Portugal assim sucede, a extrema-esquerda aparece associada às formações (incluindo o PCP) que defendem o anticapitalismo e a antiglobalização.
    Voltando a Putin, é bom recordar que na Rússia continua a existir um Partido Comunista liderado por Guennadi Ziuganov que embora defenda a uma «nova forma de socialismo» que inclui a nacionalização dos recursos naturais, da agricultura e das grandes indústrias, ainda assim apoia Putin, cujo partido “Rússia Unida” contrariamente, prossegue na economia um regime capitalista nas mãos dos oligarcas, e politicamente um regime ultranacionalista e ultraconservador, na defesa dos valores tradicionais e da identidade nacional russa e do retorno da Rússia a superpotência.
    Se Putin é de esquerda ou de direita? Para mim, a resposta é bem simples, “é um ditador”!
    Cordiais saudações

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  9. Anónimo21:35

    Nacionalista de extrema direita. Um Bonifácio russo
    Fernando Neves

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  10. E se Putin fosse simplesmente russo, verdadeiramente russo, não fosse Eltsine, não fosse Gorbatchev, e fosse antes o que o Ocidente detesta : um líder forte.

    Ele trouxe a Rússia de volta ao nível das grandes potências.

    A firmeza da Rússia deu dores de cabeça ao Ocidente. A Síria é um bom exemplo.

    Como a situação demonstrou, o Ocidente encontrou-se frente a um muro na sua busca de “mudança de regime” em Damasco; uma guerra contra o Irão é impensável sem o acordo da Rússia (e ela não concordará); a expansão da NATO para o espaço eurasiático, de que esta precisaria para reivindicar o monopólio da manutenção da segurança mundial (e assim perpetuar a hegemonia ocidental sobre a política mundial) esbarra em feroz resistência por parte dos russos. Que sabem bem que a Ucrânia seria a primeira etapa desta marcha para o Leste do continente euro-asiático.

    Os americanos sabem bem que para realizar um tal objectivo seriam obrigados de marchar sobre o cadáver de Putine e milhões de russos…Eles recordam-se do Corpo Expedicionário Americano desfilando em Vladivostok nos anos 20…antes de receber uma lição do jovem Exercito Vermelho…

    É que Putin compreendeu e não esqueceu a frase de Madeleine Albright, a ex-secretária de Estado dos EUA, quando expressou a sua surpresa de que um país pudesse ter toda essa riqueza inexplorada na Sibéria e no leste da Rússia quando deveria pertencer ao mundo inteiro…

    No entanto, é impossível chamar a Rússia de "inimiga". A Rússia não é uma entidade "ideológica", nem pode ser considerada a antítese do Islão ou do capitalismo. Tem fortes ramificações internacionais que atravessam as divisões regionais "China/Japão; Irão/Israel" e possui redes consideráveis que se estendem de Cuba, Brasil e Venezuela à Coreia do Sul, Vietname, Itália, França e Alemanha.

    O ideal para os Estados Unidos seria cooptar a Rússia, Washington teria então mais facilidade em administrar a ascensão da China. Infelizmente a Rússia quer permanecer independente e tem os meios porque é também a única potência mundial com capacidade para destruir os Estados Unidos.

    É aí que entra Putin. Enquanto ele estiver no comando, a Rússia não fará o compromisso histórico de abandonar a sua resistência aos esforços de 70 anos dos Estados Unidos para estabelecer a superioridade nuclear, que é o único objectivo do seu sistema de defesa anti-missiles.

    O enorme orçamento de defesa de " $ 700 bilhões para a próxima década" da Rússia e a revisão geral de sua indústria de defesa significam que Putin pretende manter o equilíbrio estratégico global predominante. Esta é a raiz do problema.

    Então Putin é um ditador?

    O Ocidente é hipócrita quando condena o deficit democrático de Putin depois de celebrar Yeltsin como o pai da democratização russa.

    Na realidade, Yeltsin sufocou a nascente democracia russa, mas como isso serviu aos interesses geopolíticos do Ocidente e encorajou a pilhagem maciça da riqueza nacional da Rússia pelo Ocidente, ele faz parte dos heróis do Ocidente. Ele; que mandou disparar contra o Parlament Russo. Como Trump, outro "democrata" experimentou em 6 de Janeiro...

    Mas para o Ocidente, mesmo Zelensky é um democrata...

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  11. Reaça10:31

    Porque será possível aparecerem comentaristas anti-europeus, e anti-ocidentais num momento histórico como o actual, em que a Europa não pode com uma gata pelo rabo?

    A Europa e sua civilização hoje não passa de um museu.

    Prestes a ser um museu "morto", assassinado e dependente da Rússia e da china e dos africanos e sírios.

    O momento actual a Europa tem que reagir para não submergir.

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  12. Anónimo07:03

    Realmente, que grande "coragem" e que grande "orgulho" que deve ser para os rapazes da NATO e os seus protegidos em Kiev, terem assassinado uma jovem de 29 anos à bomba, que estava simplesmente a ir para casa após um dia passado num "perigoso" festival de música e literatura com o seu pai. O Ocidente está de parabéns, acabam de mostrar perante o Mundo inteiro aquilo que realmente são...

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