O meu colega Paulo Castilho (esse mesmo, o escritor) e eu tínhamos chegado a Bridgetown, para uma determinada reunião internacional.
Estávamos então a dar os nossos primeiros passos nas instituições europeias. Competia-nos defender as cores nacionais na capital dos Barbados, num encontro dedicado a questões de comércio e desenvolvimento.
Arribávamos de Londres, na véspera da reunião plenária. Fomos informados de que só fora possível reservar aposentos num hotel "um pouco fora da cidade".
Jantámos, bem dispostos, com outras pessoas, num grande (e esgotado, claro!) hotel da cidade, antes de rumarmos ao nosso alojamento. No táxi para lá, começámos a preocupar-nos. O tempo passava. Depois de mais de meia hora viagem, por caminhos estreitos e rurais, chegámos ao destino.
Era um hotel visivelmente medíocre, na soleira de ser uma espelunca. Já tivera os seus dias, há muitos anos! Olhámos um para o outro, na certeza de que esse facto não iria atenuar as invejas que tínhamos deixado para trás, em Lisboa, ao termos tido o privilégio de ser designados para uma reunião nas Caraíbas.
Nada podíamos fazer: havia que passar ali três noites. E, em especial, teríamos de madrugar e conseguir transporte para estar a tempo nas reuniões.
Na receção do hotel, em face do calor húmido da noite caribenha, perguntámos se os quartos tinham ar condicionado. A resposta foi críptica: "Sim, mas tem um pormenor que explicaremos quando chegarmos aos quartos". Estranhei o “pormenor”, mas lá fomos. Sem elevador, claro. O quarto estava ao nível das baixas expetativas que já levávamos. Mas, vá lá!, tinha ar condicionado.
O pormenor? Bom, o pormenor é que, para que o ar condicionado funcionasse era necessário, de duas em duas horas, meter uma moeda, tipo parquímetro. Coisa simples, está bem de ver!, desde logo para quem pretendia dormir, depois de uma imensa jornada, com “jet lag” à mistura.
É a vida! Há pior, como sabem.
