terça-feira, junho 09, 2020

Estátuas

A questão da destruição de estátuas de figuras do passado, representativas de realidades que, na sua época, eram lidas de forma diferente pela sociedade, levanta uma questão de base: será que a atual geração assume a arrogância de ser ela a avaliar toda a História?

16 comentários:

  1. Bom dia:- Infelizmente as pessoas esquecem tudo, sendo que, basta um ou dois dar um grito entre várias pessoas, e - como carneiros - todos seguem o pseudo "lider".
    .
    Um feriado feliz (portugueses)
    Um dia feliz para todo o mundo
    Cumprimentos

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  2. Anónimo09:35

    Em Bruxelas, no Parc du Cinquentenaire, a poucos metros da mesquita, há uma conjunto escultórico que assinala os "feitos" militares dos belgas em África. Uma das legendas gravadas, que dizia algo do tipo "terminámos com o tráfico de escravos praticado pelos muçulmanos", foi cuidadosamente "alterada" e o pedaço de pedra onde estava escrito "muçulmanos" foi retirado. Agora, lá está aquilo ali: um buraco.

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  3. será que a atual geração assume a arrogância de ser ela a avaliar toda a História?

    Todas as gerações assumem essa arrogância. Quem erigiu as estátuas também esteve a avaliar a História.

    O Francisco discorda da destruição das estátuas de Lenine que foi levada a cabo não há muitos anos?

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  4. Uma estátua não serve sobretudo para celebrar a História, serve para honrar a memória de quem ela representa ou a quem ela foi dedicada. Se nos apercebemos que estamos a honrar a memória de quem praticou atos que hoje consideramos desprezíveis e que ferem a dignidade dos descendentes das vítimas desses atos, cujos nomes se perderam, não é má ideia livrarmo-nos dessas representações.

    Por isso é que, e bem, os povos do Leste da Europa se livraram das estátuas a Lenine, os espanhóis das de Franco, a Ponte Salazar passou a 25 de Abril (já estou a ouvir os urros dos anónimos que se vão apressar a responder a esta em particular) e nós agora nos deveremos livrar das dos traficantes de escravos, que pertencem aos museus e não aos plintos das nossas praças.

    Não tencionamos apagar estas figuras dos livros de História.

    E para quem vier dizer que não deveremos julgá-las à luz dos nossos valores e sim dos da sua época, a resposta deve ser que a escolha do que decidimos honrar e celebrar é justamente feita à luz dos nossos valores, nem poderia ser de outra maneira.

    Todas as gerações assumem afinal a arrogância de julgar a História à luz dos seus valores, de outro modo essas estátuas nunca teriam sido erguidas...

    E não se pode escolher dela só o que é bom e ignorar o mau, ou vice-versa.

    De outro modo, está-se a fazer propaganda, que é o que continua a ser infelizmente feito por muita gente insuspeita em Portugal relativamente aos Descobrimentos, que serve para propagar o mito da colonização benevolente e do lusotropicalismo (esta deve provocar ainda mais urros)...

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  5. Anónimo15:27

    É no que dá plantarmos estátuas aos nossos contemporâneos! Se passados 100 ou 200 anos ainda houver a vontade de erigir uma estátua a alguém pois muito bem faça-se lá a estátua, antes é que não!
    E quantas das que estão por aí espalhadas não terão sido promovidas pelos próprios "homenageados" ?

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  6. Bom ponto de Luís Lavoura , quando escreve: “Quem erigiu as estátuas também esteve a avaliar a História” . Eu acrescentaria : “no momento ou na época em que as estátuas foram erigidas”. .


    Anos mais tarde, quando são demolidas, é uma outra História. As estátuas de Lenine derrubadas na Ucrânia, e a de Saddam , no Iraque, já são outra História.

    Da mesma maneira que estátuas de líderes confederados foram derrubadas de madrugada nos EUA, estátuas de mercadores de escravos foram demolidas recentemente em Bristol, em Nantes e na Martinica.

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  7. Ao Sr. Jaime Santos: « E não se pode escolher dela só o que é bom e ignorar o mau, ou vice-versa.” Frase curta do Sr. Jaime Santos que vale a pena analisar”

    Primeiro exemplo: A estatua do General Robert E. Lee, comandante das forças confederadas durante a Guerra Civil Americana, derrubada em Cherlotteville semanas atrás.

    Activistas da direita política protestaram contra a demolição e activistas da esquerda política manifestaram-se contra a manifestação de direita.

    Em 2003, um tanque americano demoliu a estátua de Saddam Hussein na Praça Firdos, em Bagdad. Uma imagem bem emoldurada da televisão sugeriu que eram os iraquianos que estavam a derrubar a estátua. Mas eram meros actores num programa de propaganda americano.

    Os nazis da direita ucraniana que, sob a liderança dos Estados Unidos, derrubaram pela força o governo legítimo da Ucrânia, abateram as centenas de estátuas de Lenine que ainda estavam no país.

    Robert Lee foi um homem brutal que lutou para manter o racismo e a escravatura. Como ele, há poucas figuras históricas impecáveis. George Washington "possuiu" escravos. O Lyndon B. Johnson não mentiu sobre o incidente no Golfo de Tonkin e lançou uma gigantesca guerra injusta contra os não-brancos sob falsos pretextos.

    O significado de um monumento muda à medida que o tempo passa. Embora possa ter sido construído como parte de uma determinada ideologia ou conceito.

    Lee foi celebrado como um herói que encarnava "a grandeza moral do Velho Sul" e como um dos arquitectos da reconciliação entre os dois lados. A guerra em si foi descrita pelos mesmos como um conflito entre duas "interpretações da Constituição" e entre duas "visões ideais da democracia".

    Os racistas brancos que vieram "proteger" a estátua em Charlottesville certamente não o fizeram em nome da reconciliação. Nem aqueles que vieram a opor-se violentamente. O Lee era racista. Aqueles que vieram para "defender" a estátua eram principalmente racistas "supremacistas brancos". Claro que se deve opor a eles. São os assassinos de George FLOYD.

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  8. Anónimo16:57

    A minha pergunta é: quando é que começamos a esvaziar os túmulos do Panteão?


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  9. Anónimo17:11

    Trazer à baila o derrube de estátuas dos pilantras que construiram o comunismo é desonesto mas... que esperar?

    As estátuas de facínoras como o Estaline, Lenine e outros não foram derrubadas passadas gerações mas sim ainda a quente, quando os povos finalmente se libertaram do controlo macabro dessa gente. Os derrubes das estátuas comunistas - tal como das do Saddam -, foram feitos por gente que ainda sentia na pele os crimes por eles cometidos direta ou indiretamente. Derrubar o comunismo só podia ter como consequência derrubar os seus símbolos mais óbvios. Dificilmente as pessoas saídas das prisões ou cuja memória ainda sangrasse dos crimes de regimes ditatoriais poderia continua a passear-se nas ruas sendo obrigada a olhar nos olhos monstrengos homenageando os algozes do seu povo e das suas famílias.

    Ora, derrubar estátuas referentes a gente de eras passadas, cujas ações em nada nos afetaram ou que - como é o caso do Churchill -, permitiram que vivêssemos hoje num mundo livre, é uma coisa que já raia o insano. Mas, como todas as insanidades, este movimento tem os seus defensores, geralmente gente que tem contas a ajustar com a História e que, ainda lambendo as feridas de derrotas passadas, pretende a vingança através da destruição daquilo que não conseguiu mudar.

    Enquanto as nações livres e democráticas não encararem estes movimentos como aquilo que eles são - subversão equivalente à agitprop da Guerra Fria -, não vamos lá. Os touros pegam-se de caras!

    PS: continuamos sem saber quem é o Jaime Santos. Que importância tem isto? Nenhuma, se não se desse o caso de o homem continuar a martelar na história dos "anónimos". Deve ser uma coisa que lhe dá mais sabor à insonsa comida, sei lá.

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  10. Anónimo23:34

    Será nova moda, bater nos mortos passados tantos séculos?
    talvez assim evitem de se preocupar com os vivos
    (tantos de várias cores a precisar de ajuda)
    ou ainda vão deitar abaixo o Marquês de Pombal por não lhe seguirem a doutrina

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  11. Anónimo00:59

    Caro comentador das 17:11, a que propósito vem o Churchill? Foi derrubada a estátua de um tipo em Bristol que vivia da escravatura e a fomentou. Sofreram e morreram milhões de pessoas por causa dele e de outros como ele. Qual a diferença entre ele e o Estaline? Foi porque as suas vítimas morreram antes das do Estaline? Qual é a lógica disso? Na Bélgica foi retirada a estátua de um sacana de um rei que condenou milhões à miséria e escravatura em África, nas suas vastas possessões pessoais. Vem algum mal ao mundo por a retirarem? O Robert Lee representava simbolicamente a defesa da manutenção da escravatura. Vai abaixo, obviamente.
    As estátuas erguem-se e derrubam-se há milhares de anos. Não são mais do que homenagens a pessoas, não são obras de arte, como muitos agora querem fazer querer, e não são a História. A História aprende-se nos livros, não é a olhar para estátuas. Sempre se passou o mesmo com homenagens de pessoas com o nome em ruas e praças, a mesma coisa, sem tirar nem pôr. E alguém chora hoje o facto de terem alterado o nome de Avenida Rainha Dona Amélia para Avenida Almirante Reis?
    A atual geração tem todo o direito a retirar estátuas, como outros tiveram o direito de as erguer. Aliás, que me desculpem os das gerações anteriores, mas esta é, em média, a geração mais consciente e educada de sempre. Os mais velhos, ainda que o não admitam, têm muito a aprender com eles e tiro-lhes o chapéu pela coragem de derrubar estátuas de santinhos de pau carunchoso.

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  12. Anónimo13:19

    Só um esclarecimento, senhor Embaixador, quanto a "realidades que, na sua época, eram lidas de forma diferente pela sociedade,". Não sei bem a que se refere por "sociedade". Mas quando ergueram a estátua do Rei Leopoldo, por exemplo, já muitos na sociedade o consideravam um déspota e assassino. A começar nas suas vitimas, obviamente, e acabar em tantos europeus. É ler as denuncias e relatos históricos.

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  13. Anónimo22:58

    Confesso que esta revisão da história me incomoda.

    Alguns hoje em dia pretendem culpabilizar-nos colectivamente pelo que sucedeu em momentos do nosso passado e pretendem desconstruir, desunir e destruir.

    Não posso aceitar em caso algum que alguns imbecis, que provalmente nuca leram o Padre António Vieira, dos maiores escritores da língua portuguesa, insigne conselheiro de D. João IV nas campanhas diplomáticas para o reconhecimento da restauração da independência de Portugal seja agora vandalizada.

    O passado deve ser respeitado.

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  14. Anónimo10:40

    "11 de junho de 2020 às 00:59", a referência ao Churchill vem na sequência de ataques - ou intenção de os fazer -, à estátua existente em Londres.

    Eventualmente, esteve em Marte (planeta vermelho), e falhou as notícias...

    Calculo que também esteja apto a explicar-nos o caso com a estátua do Baden-Powell ou do padre António Vieira (que já tinha sido alvo de uma ação Mamaduesca, certo?).

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  15. Anónimo11:12

    Acho inaceitável esta arrogância vasconça de querer anular a história, o nosso passado com erros e virtudes. Acho absolutamente inaceitável e não consigo perceber como há políticos ditos democráticos que vão a correr retirar vestígios da nossa memória porque alguém se lembrou de forma abusiva de contestar. O que é isto afinal, onde reside afinal a tolerância e o respeito...? Por favor haja bom senso ou vamos terminar todos em guerra uns com os outros, sem qualquer motivo válido mas porque sim...!

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  16. Anónimo16:02

    Caro comentador das 12 de junho de 2020 às 10:40, sequência de ataques - ou intenção de os fazer? Decida-se.
    No resto, não sacralizem as estátuas.

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