segunda-feira, 30 de julho de 2018

24 horas na vida de uma mulher

Em casa do meu avô materno, no topo de um estante, havia um livro cujo título sempre me intrigou, mas que essa curiosidade, ainda de infância, nunca me levou a ler. Era o "Vinte e quatro horas na vida de uma mulher", de Stefan Zweig.

Há pouco, ao ver anunciada a demissão de Ricardo Robles, o vereador do Bloco de Esquerda na Câmara de Lisboa, lembrei-me de Catarina Martins, líder do partido. E das suas últimas 24 horas. E pensei em como apenas um dia e um imenso erro podem ter consequências devastadoras. 

Não vou aqui repetir, sobre o episódio imobiliário de Robles, o básico: o cidadão Ricardo Robles tinha todo o direito de fazer o que fez, o militante do BE Ricardo Robles estava moralmente impedido de tentar o negócio, depois do que tem dito sobre a especulação imobiliária em Lisboa. Por isso agora se demitiu.

Mas estas 24 horas, na vida de uma mulher chamada Catarina Martins, acabam por ser um tempo imenso. Ela devia ter cortado cerce o problema, mal se conheceram os factos, retirando de imediato a confiança ao vereador. Ora, ao vir a terreiro apoiar Robles, com os argumentos algo arrogantes que utilizou, a poucas horas dele próprio perceber que tinha de se demitir, acabou por piorar tudo, agravando, por falta de sentido e de "timing" políticos, uma das maiores crises que o BE atravessou desde a sua criação. O partido vai ter agora de lamber as feridas, esperando que o dia de amanhã obscureça a memória dos seus potenciais votantes, que, por estas horas, exibem um penoso embaraço. Uma coisa é certa: o Bloco vai pagar um preço, à esquerda.

É que Catarina Martins deve preocupar-se, e só, com os impactos à esquerda daquilo que se passou. Mas, se quer um conselho, deve "estar-se borrifando" para a turba da direita que lhe caiu em cima, para a "autoridade" moral de quem acha que tem, por herança genético-social, aquilo que poderíamos designar como o "monopólio do usufruto do bago" e há muito se arroga o direito de ser uma espécie de juíz de coerência do outro lado da barricada. 

Vemos agora a direita aproveitar o balanço e contestar uma alegada "superioridade moral" da esquerda. De facto, concordo que invocar isso não passa de uma palermice sem sentido, sendo que é, no entanto, um tema muito antigo, que surge à baila de quando em vez. Mas talvez valesse a pena interrogarmo-nos: por que será que nunca se ouviu, por uma vez que fosse, alguém ousar defender a existência de uma "superioridade moral" da direita? Talvez não seja por acaso...

21 comentários:

Luís Lavoura disse...

Ela devia ter cortado cerce o problema, mal se conheceram os factos, retirando de imediato a confiança ao vereador.

Retirar-lhe a confiança de imediato não digo, seria talvez muito apressado e violento; mas deveria pelo menos ter-se abstido de o defender (e de colocar o Esquerda.net ao serviço da sua defesa) até conhecer todos os factos e ter meditado bem neles. Assim, ao defendê-lo com argumentos totalmente tolos, queimou-se ela, queimou-se a Mariana Mortágua, queimou-se o Francisco Louçã, e sei lá quem mais se queimou. Só o Luís Fazenda se safou, e muito bem.

Anónimo disse...

Todos os "queimados" só tem uma solução, face à "imensidão " do erro: meter a viola no saco e deixar de pregar

Anónimo disse...

Quando uma senhora tem que dizer que e' uma senhora para que os outros saibam que estao na presenca de uma senhora... entao nao e' uma senhora!

E' por isso que a esquerda aos cucos apregoando a sua suposta "superioridade" moral. E' por isso que a direita nao precisa de ofazer

Anónimo disse...

Ah pronto, bem me pareceu que a "direita" tinha de levar!

Se calhar a superioridade moral da esquerda também lhe dá direito a uma espécie de polícia de costumes própria (para evitar o vexame de ouvir bocas dos fascistas).

Reaça disse...

O Bloco e a esquerda portuguesa, a esquerda e os partidos da esquerda em Portugal, é um "faz-me rir"

José Lopes disse...

O Sr. Embaixador cita muito a propósito uma obra de Stefan Zweig, um autor durante muito tempo menosprezado. Um dos livros dele, "O Mundo de Ontem" deveria ser de leitura obrigatória, para mim foi, para compreender o triunfo do nazismo na Alemanha e Áustria.
Cumprimentos e parabéns pelo blog.

alvaro silva disse...

A superioridade mora e material da direita existe, sempre existiu e existirá, chama-se: Bago, massa, prata etc o que quiser. è o dom dinheiro que amacia quase todas as morais e consciências, tal como o ar que respiramos,só damos conta que existe quando nos falta. Tal como os nuestros hermanos galegos diziam do meu torrão natal:
Vila chiquita cercada del rio
Muchas montanhas, mui poco o lavradio.
Muchos los bufones. Mui pocos los doblones!
Sem esquecer que há muitas cigarras que com medo de trabalhar gritam muito alto, mas em qualquer açougue a carne da gorja ou colada é a mais barata. daí quem não tem pilar ou esteio em que se estribe, vem falar em moral da esquerda. Depois é o que todos vemo

Anónimo disse...

Num pequeno percurso cruzei-me já na parte da tarde com dois simpatizantes (ou militantes...) a quem estranhei o que pareceu ser uma tentativa de se esquivarem ao cumprimento. Quando cheguei a casa e vi as notícias sobre a demissão do Robles, percebi aquela esquiva.
Recordei-me da vergonha com que saí de casa no dia a seguir à vitória de cavaco nas legislativas de há muitos anos quando isso me parecia impossível e totalmente ilógico.
"Coisas", como diria o Mário-Henriques Leiria .
Talvez que isto amaine um pouco a arrogância de Catarina Martins, o que não lhe faria nada mal...

Joaquim de Freitas disse...

No mundo da direita conservadora, o objectivo principal de um político, não é apenas conquistar o poder político do Estado, mas manter se lá, a qualquer custo, não importa o que ele tenha que fazer para se manter lá no poder.

No mundo da esquerda radical, entram outros parâmetros, para os quais a direita se está marimbando: a ética e a moral.

O problema das relações entre ética e política é grave porque a experiência histórica mostrou, que o político pode se comportar de modo diferente da moral comum, que um acto ilícito em moral pode ser considerado e apreciado como lícito em política, em suma, que a política obedece a um código de regras ou sistema normativo que não se coaduna, e em parte é incompatível com o código de regras ou sistema normativo de conduta moral

Anónimo disse...


Então digam-me lá quem permite coisas destas: a esquerda ou a direita ou mesmo as duas? Se ele as há realmente.

Se o problema está no regime vigente parece que o único partido que sai incolumne será os vossos "amigos" do PCP.
Mas para mim é perigozissimo e não me estou a ver embarcar para a Sibéria tão cedo. Não teria os abafos e galochas prontos para aquele frio e ainda ganhava uma fraqueza do peito.

Anónimo disse...

@ Sr. DE Freitas

Este último paragrafo do seu comentário das 21:52 parece ser só percbido por.... ou comunistas ou iniciados. Fiquei a zero.
Será todo ele em sifra só para alguns dos seus camaradas ou irmãos.

Anónimo disse...

Por amor de Deus, Joaquim Freitas, abra os olhos. Então a direita agarra-se ao Poder a qualquer custo? A Esquerda é ética e moral? Onde cabem os Castros de Cuba, os Chaves e Maduros da Venezuela, os Noriega da Nicarágua, a dupla Putin/Medvedev,o camarada Chinês que agora passou a perpétuo etc. .. para não falar dos camaradas marxistas de África, que uma vez no poleiro só saem á força. Todo o mundo sabe que o poder corrompe seja da direita ou canhoto. Como sempre a regra tem exceções, mas só me ocorre o nome de José Mujica do Uruguai.

Joaquim de Freitas disse...

Caro Anónimo das 00:42 :

Permita que reformule o meu comentário:

“No mundo da esquerda conservadora, o objectivo principal de um político, não é apenas conquistar o poder político do Estado, mas manter se lá, a qualquer custo, não importa o que ele tenha que fazer para se manter lá no poder.

No mundo da direita, entram outros parâmetros, para os quais a esquerda se está marimbando: a ética e a moral.

E foi assim que vimos na esquerda conservadora, Allende, no Chile; Largo Caballero, na Espanha Republicana, Jacobo Arbentz no Guatemala, Isabel Peron na Argentina, Lula no Brasil, Castro em Cuba, Chavez na Venezuela, e muitos outros, agarrarem-se ao poder, por todos os meios.

Se Castro e Chavez, apesar da invasão da Baia dos Porcos organizada benevolamente pela CIA, para o primeiro e o putsh de 2002, contra o segundo, com a mesma inspiração, conseguiram conservar o poder, os outros perderam-no, graças às forças éticas e morais da direita internacional.

A direita, ética e moral, incarnada por Pinochet, conseguiu vencer Allende, a Republica Espanhola de ser recuperada pelos valores civilizacionais de Franco, o puro Castillo Armas, de derrubar o Arbenz no Guatemala (o que permitiu à United Fruit , americana, de recuperar a sua “Banana Land : as bananas guatemaltecas), ao ético e moral general Villela de reinar em Buenos Aires, e ao incorrupto Temer de moralizar o Brasil.

Quanto a considerar Putin/Medvedev e o novo Mao chinês como gente de esquerda, desculpe lá, mas é insultante para Donald Trump, verdadeiro defensor da ética e da moral, como foram noutros tempos Margareth Thatcher, Reagan, Blair, Bush e tantos outros…, que nos livraram desses horríveis esquerdalhos que eram Saddam Hussein e Gadaffi, e foi pena não terem conseguido livrar-nos do outro, Bachar Assad, que ainda é uma ameaça para o exemplo de ética e moral de apartheid que se chama netanyahou.

Não faça como o comentarista das 23:51 que ainda anda à procura de comunistas em 2018, após a queda do muro de Berlim !

Ana Vasconcelos disse...

No meio disto tudo (e percebi que não é este o tema do post), pouco se tem comentado o facto de ser um prédio da Segurança Social, logo um imóvel público, licitado a um preço muito mais baixo do que foi depois posto no mercado por um vereador municipal, independentemente do partido a que pertence.

Anónimo disse...

@ Sr. De Freitas.

Se ando ainda à procura de comunistas é porque o PCP é talvez o único partido verdadeiramente comunista desta Europa em 2018, cem anos depois dos marxistas leninistas terem assaltado o poder na Rússia. É que aqui ainda se espera muito das manhãs que cantam, como se tem visto últimamente com a geringonça.

Anónimo disse...

Esta história do Robles não passa de um “fait-divers” político. Não terá qualquer consequência nos resultados eleitorais do BE no próximo ano. Daqui a 1 semana já ninguém fala disso. E entretanto começou o futebol e voltamos ao que “realmente interessa”, a bola. Casos bem piores e mais graves, como quando o Passos, então PM, veio a terreiro reconhecer que de facto “se tinha esquecido” de pagar a Segurança Social, durante uns tantos anos, quando estava à frente de uma empresa privada, ou de Cavaco, quando confrontado com factos que indicavam que tinha beneficiado de “inside information” para fazer o negócio das acções do BPN, para só dar estes exemplo, pois há mais, passaram à História, foram esquecidos e não afectaram a imagem política daquelas criaturas. Como dizia ontem o politólogo e comentador António Costa Pinto, isto em nada afectará a imagem do BE por ocasião das eleições. Uma árvore não faz a floresta e um caso isolado não destrói a imagem de um Partido, como este caso. Gostei de ouvir Rui Rio, ao que parece o único com alguma lucidez, ao comentar, ontem, que Ricardo Robles lhe merecia respeito por se ter demitido, “o que, noutros Partidos, como casos semelhantes” não aconteceu". “Toma embrulha”, lá diz o povo. Este caso é para o lado que durmo melhor. Não me aquece, nem arrefece. Aconteceu, demitiu-se, siga-se em frente. Quanto a Catarina Martins reagiu como reagiria outro qualquer no seu lugar. Nem ela imaginava que afinal era verdade. Não vejo nada de reprovável nisso. E ela não será afectada com isso. Quem vota BE assim continuará a fazer, a não ser que o PS guine à esquerda, e nesse caso o voto poderia ir para o PS, o que não será o caso, sobretudo tendo Costa como adversário principal o moderado Rui Rio, com quem ele se dá bem. Esse sim é que lhe pode roubar votos. E se assim for, se o PS se inclinar mais para o Centro, ganham o BE e a CDU. E assim irá o país, mais escandalozito, mais episódio, menos isto e aquilo. Alguém acha, no seu perfeito juízo, que a rapaziada, em gozo de férias, pés na reia, coiro no mar, bebendo umas cervejolas, comendo um peixito e uns churrascos, está para aí virado, para casos como este? Deve viver noutro Mundo certamente!

Anónimo disse...

A partir de agora de cada vez que ouvir um dirigente do Bloco no seu acertivo argumentário vou logo "roblizar" o meu raciocínio sobre a coisa !!!!!

Anónimo disse...

Eu confesso que cada vez que leio os comentários do Sr Freitas me arrepio, pois parece viver num mundo paralelo.

Para ele os democratas de esquerda com noção de ética, são Estaline(antes da derrota do comunismo), Ortega na Nicarágua que manda matar estudantes que protestam contra a repressão, Maduro na Venezuela que inventa resultados eleitorais, cria nova moeda na República Bolivariana da Venezuela e continua a tarefa de Chavez de destruir e empobrecer a Venezuela.

Democrata e defensor da tal oura ética de esquerda é certamente o camarada Iglésias do Podemos, que, como Robles, Martins e os dirigentes do BE, apregoam uma coisa e fazem o seu contrário.

Não diga por favor que a esquerda tem o monopólio da ética, porque isso não é correcto.

E se quer alguns exemplos de ética de defesa do Estado e do interesse público, veja só em França, Jean Monet, De Gaulle, Chaban, entre outros por essa Europa e pelo mundo, que de esquerda não têm nada, mas sempre tiveram um posicionamento de serviço e de defesa da comunidade.

Joaquim de Freitas disse...

Oh Caro anónimo das 00:36. Tenho grande consideração por si, e respondo-lhe, porque me chama pelo meu nome: Freitas. Muito mais fácil e honesto que ser anónimo, quando me carrega com todas as maldições da Historia.

Mas olhe que você seria incapaz de me dizer qual era a sua posição quando a NATO desmembrava a Jugoslávia e semeava a morte em vários países árabes, hoje em ruína total.

Também incapaz de nos dar aqui neste respeitável blogue os nomes daqueles que substituíram os chefes de Estado assassinados e em quê eles são melhores e em quê é maior a felicidade dos sobreviventes, mais numerosas as suas liberdades e mais felizes as mulheres e melhor escolarizadas as crianças e mais bem tratados os velhos e melhor assegurada a segurança dos cristãos.

Interrogue sobre o sujeito os seus amigos da direita ética e moral se quiser saber a que se assemelha o silêncio do cemitério.

Tratando-se da América Latina, são muitos os que à esquerda ladram com prazer com os USA contra os países que apoiaram, durante um tempo, no passado: Cuba, Venezuela e Bolívia.
Esquecendo o que aconteceu noutros países do mesmo continente quando a direita passou para o poder.

Fala-me da Nicarágua, esquecendo Reagan e os Contra, o Irangate e a acção dos USA na situação actual. E sempre com os mesmos argumentos, plausíveis, mas politicamente errados: a violência na defesa do seu país. A CIA acaba de se vangloriar de estar na origem da agitação actual. Não leu? https://grayzoneproject.com/2018/07/30/an-exclusive-interview-with-nic...

Você não quer admitir que as informações são por uma grande parte “fake news”, como o massacre de Timisoara, as incubadoras desligadas do Koweit, os ADM do frasquinho de Colin Powel na ONU e tantas outras.

Olhe bem para aquela notícia que permitiu à NATO-USA, de desencadear o inferno sobre a Líbia.- Os 6 000 líbios supostamente assassinados por Khaddafi, que se evaporaram sem deixar o mais pequeno bocado de osso, sem que nenhum satélite não apanhe nenhuma imagem.

Pouco a pouco, nesta Europa sem bússola, começamos a ouvir discursos compreensivos de Hitler, e não é só na Praça Maidan, em Kiev, na Ucrânia, mas em toda a Europa de Leste, “libertada” do jugo soviético, para cair sob a alçada da NATO.

Discursos nos quais nos dizem que Hitler pintava quadros bastante bonitos, acariciava os cabelos das cabecinhas loiras e gostava de cães. Melhor ainda, era vegetariano, contrariamente a Charles De Gaulle, Jean Moulin, Gabriel Péri, Missak Manouchian e os “maquisards” do Vercors e de Corrèze, os habitantes de Oradour-sur-Glâne, os generais do Exército Vermelho, Estaline, etc.…E que sem duvida todos tinham defeitos e cometido erros…

Anónimo disse...

@ Sr. De Freitas.

Não se esqueça que eu sou não-politizado para além de ser um dos "cobardes" frequentadores deste blog, e por isso considerado escória humana.
Não lhe fica bem dizer que tem consideração por mim junto dos seus pares.
Tudo o que diz deve ter sustentação mas como sou, não o posso contradizer senão como um humanista.
Já deixei aqui dito que a guerra é uma actividade da humanidade. Não é a melhor qualidade humana mas está inscrita nos nossos genes. A morte humana acontecida na guerra tem de ser vista como consequência da guerra ou da vida dos humanos.

As suas contas dos mortos tanto dá para a esquerda como para a direita ao longo da História que o Sr. apenas indica que conhece depois de 1918.

Há em si uma coisa interessante que é: tal como Alvaro Cunhal o Sr. tem a certeza de que as mortes provocadas pelas ideias marxistas leninistas são justificadas para atingir os seus fins. As mortes a defenderem outros ediàrios são sempre mortes inuteis e crueis.
Daí as nossas diferenças.

Joaquim de Freitas disse...

O anónimo das 12:42, « não politizado », um dos "cobardes" frequentadores deste blog, e por isso considerado escória humana ”como ele mesmo se apresenta, teria tido a mesma reacção daquela que cito:


"Não tem de ficar incomodada. Era apenas um comunista!"
No dia 31 de Julho de 1958, há 60 anos, foi assassinado o operário de Vila Franca de Xira, Raul Alves. Militante comunista, foi lançado do terceiro andar da sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso.
De uma janela da Embaixada do Brasil, a esposa do embaixador desse país assistiu ocasionalmente ao homicídio e, profundamente impressionada, escreveu ao Cardeal Cerejeira denunciando o ocorrido. Duas semanas depois, o Cardeal fez-lhe chegar a resposta do Ministério do Interior: «Não há motivo para ficar tão impressionada. Trata-se, apenas, de um comunista sem importância.»

Sabe caro anónimo cobarde, entre o senhor e eu, há muitas outras diferenças, e de peso, entre as quais de fazer a diferença entre os assassinos e os patriotas.