O excelente negócio feito pelo deputado municipal do BE, Ricardo Robles - se, como parece plausível, tiver cumprido todas as determinações legais - é de uma legitimidade cristalina. Numa economia de mercado, as coisas funcionam assim e as mais-valias obtêm-se dessa forma. Nada, mesmo nada, a objetar.
(Digo-o com a “autoridade” de quem, há pouco tempo, fez um ”negócio” precisamente ao contrário, isto é, em que fiz menos-valias, em que perdi dinheiro. Mas isso sou eu, que nessas coisas, sou um completo “nabo”...)
Há, porém, um ligeiro pormenor que introduz uma nota de diferença, quiçá de imensa incoerência, a este episódio. É que o BE, e o próprio vereador, na sua (também legítima) contestação radical ao mundo capitalista em que vivemos, que já percebemos que abominam e não aceitam (mas de que, pelos vistos, alguns deles se sabem aproveitar, e bem), têm estado na primeira linha da denúncia do surto de “especulação imobiliária” que hoje se vive na capital.
Ora isto tem um nome, feio. Mas entrei num “zen” de férias, mesmo para a indignação. Deve ser da lua em eclipse que está aí a chegar...