sábado, 28 de julho de 2018

Robles SARL



O excelente negócio feito pelo deputado municipal do BE, Ricardo Robles - se, como parece plausível, tiver cumprido todas as determinações legais - é de uma legitimidade cristalina. Numa economia de mercado, as coisas funcionam assim e as mais-valias obtêm-se dessa forma. Nada, mesmo nada, a objetar. 

(Digo-o com a “autoridade” de quem, há pouco tempo, fez um ”negócio” precisamente ao contrário, isto é, em que fiz menos-valias, em que perdi dinheiro. Mas isso sou eu, que nessas coisas, sou um completo “nabo”...)

Há, porém, um ligeiro pormenor que introduz uma nota de diferença, quiçá de imensa incoerência, a este episódio. É que o BE, e o próprio vereador, na sua (também legítima) contestação radical ao mundo capitalista em que vivemos, que já percebemos que abominam e não aceitam (mas de que, pelos vistos, alguns deles se sabem aproveitar, e bem), têm estado na primeira linha da denúncia do surto de “especulação imobiliária” que hoje se vive na capital.

Ora isto tem um nome, feio. Mas entrei num “zen” de férias, mesmo para a indignação. Deve ser da lua em eclipse que está aí a chegar...

5 comentários:

Anónimo disse...

Calha... umas vezes a indignação pega, outras não.

A indignação não pegou com o comunista apanhado num hospital privado.

A indignação não pegou com as sucessivas vezes que o Costa esteve junto de bandeiras nacionais de pernas para o ar (ah, se fosse "o Cavaco").

Vamos lá ver este caso...

Anónimo disse...

Que determinações legais?
O imóvel parece que era do Estado. Qualquer decisor da coisa pública está impedido de negociar com o estado em interesses particulares!
Mas isso era antigamente!... muito antigamente!

Agora é tudo assim!

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

Já cá está!!
Na mouche, claro!
Adorei o pormenor do SARL.

Anónimo disse...

Havia dantes uma companhia de teatro chamada Rey-Collaço-Robles Monteiro,,que deu grandes actores a Portugal. Este Robles tenta prosseguir, pelos vistos, o mesmo caminho...

Anónimo disse...

Depreendo dos escritos de um dos moralistas de serviço - o tutólogo Daniel Monteiro -, que a coisa é assim:

É imoral? É.
Faz mal? Faz.
Somos contra? Somos.
Dá dinheiro? Dá.
É legal? É.
Aproveitamos? Então não?! Mas a culpa é da falta de leis que nos impeçam de o fazer!