domingo, 29 de julho de 2018

Com reserva de mesa


Com a morte de Jonathan Gold, ouviu-se, um pouco por todo o mundo, um coro de elogios a um dos críticos gastronómicos que terá marcado uma geração do setor. Escrevi “terá” porque, embora, durante alguns anos, eu tivesse metido uma colherada no tema, o meu conhecimento da figura era bastante escasso: havia lido alguns (poucos) belos textos dele, sabia alguma coisa sobre o seu percurso, em particular que era muito bom naquilo que fazia, mas era tudo.

Embora, até um passado recente, eu próprio tivesse escrito, por alguns períodos, sobre restaurantes, em três revistas distintas, nunca tive a menor veleidade de assumir-me como “crítico gastronómico”. Sei as minhas limitações e gabo-me de conhecer o meu “princípio de Peter” (e isto, para quem não saiba, nada tem a ver com o bar de gin da Horta), Quando muito, chamei a mim próprio “gastrófilo”, isto é, alguém que gosta de comer e não se importa de ter a ousadia de partilhar com outros as experiências que vai tendo na restauração profissional. O que agora continuarei a fazer, “pro bono” e do meu bolso, no blogue “Ponto Come”.

Ao ler algumas coisas que, a propósito da morte de Gold, apareceram na imprensa sobre as pessoas que escrevem artigos sobre restaurantes, dei comigo a pensar que fui sempre muito feliz, nos anos em que operei (e fui pago para isso) naquele domínio. É que em nenhuma, repito, nenhuma ocasião fui pressionado para escrever sobre um determinado restaurante (nem sequer a título de sugestão), tive plena liberdade para escolher aqueles que me apetecia visitar e jamais me foi feita a mais leve observação sobre o teor das minhas críticas. 

Vou deixar aqui, com o meu reconhecimento, os nomes das três pessoas que, nos diversos momentos, me “contrataram” para essa gostosa tarefa: Edgardo Pacheco (Sábado), Catarina Carvalho (Evasões) e Pedro Luís de Castro (Epicur). De todos fiquei amigo, o que acho mais importante do que tudo..

4 comentários:

Anónimo disse...

Muito a sério... atendendo à quantidade de vezes que se declara amigo de alguém, seria interessante ler qualquer coisa sua sobre a definição de "amigo". Parece-me que, sendo contrário à definição facebookiana do termo, consegue o prodígio de semear amigos ainda em maior quantidade do que aquela que o FB permite.

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

Sr. Embaixador, especialista ou não, percebe-se claramente o seu amor pela gastronomia e isso autoriza-o a botar escrita ou faladura sobre o tema.

PS: Outra das funções do anonimato, fazer figura de parvo.

Anónimo disse...

Pois isso dos restaurantes ou mesmo "casas de pasto".......:

Há quem se alimente e há quem coma.

Se se tem uma fome genética, come-se até "encher a mula" sem se preocupar seja com o local ou mesmcomo o que come.
Tem de ser é muito, para reduzir essa fome.

Para quem se queira alimentar já é um pouco diiferente.
Os sentidos que se despertam no ser humano quando se alimenta podem ser muitos tais como: Olfato, paladar e até necessidade de fazer um "breack" no seu dia a dia, e tantos outros, sejam eles físicos ou intelectuais.

Poucas pessoas notam a qualidade de uma refeição como se fosse uma cerimónia do chá no Japão.
De certa forma quem se alimenta interessa-lhe também todo um protocolo ligado à alimentação. [ Mas isso aqui...... do protocolo não interessa muito como temos lido no sentido em que isso é "pra burgueses".]

Resumindo um pouco: nunca gostei de refeições de negócios. É que nem se se alimenta nem se fazem negócios de jeito até por causa dos "vapors".


Anónimo disse...

@ anónimo de 29 de Julho 07:46


É que agora os "camaradas" passaram a "amigos", segundo indicam alguns textos do nosso "host". Assim antes "dormia-se como eles".
Agora já não.