sexta-feira, 27 de julho de 2018

Vamos a contas


Este não foi um ano fácil para o governo, em especial para António Costa, sendo que o primeiro mostra, a cada dia, ser um quase heterónimo do segundo. A tragédia dos incêndios, e bastante menos a comédia de Tancos, acabou com o estado de graça mas ficou longe de desgraçar o executivo. O otimismo abrandou, mas não afetou a economia, soprada pelas exportações, pelo turismo nas ruas, com ambiente externo e BCE a ajudarem, pelo menos até ver. Centeno, com visível gosto, atou as mãos a si mesmo no Eurogrupo em matéria de défice, embora isso não deixasse de ter consequências nervosas no equilíbrio interno da Geringonça. Empochadas as recuperações salariais, PCP e Bloco, percebendo que algumas margens orçamentais afinal existem e só não são usadas porque é preciso edulcorar a imagem do novo bom aluno europeu (que agora até já tem um sorridente retrato), fazem a coreografia vocal da pré-rotura, mas não passam a soleira de uma crise, cujo efeito de “boomerang” temem. O Bloco é entretido com notas emblemáticas e alguns fogachos legislativos fraturantes, que, aliás, ajudam o PS a sustentar ideologicamente a sua própria ala que dele está mais próxima. No seio dos comunistas, António Costa bem pode acender uma vela a S. Jerónimo, porque o que depois dele virá saudoso aliado dele fará. No meio, o presidente preside, numa filosofia de ação que fica cada dia mais clara e que, no essencial, se pode resumir assim: estar ao lado do que estiver a correr bem, nada fazendo para que algo corra mal e depois logo se verá. E não é que me ia esquecendo da oposição? No CDS, a novidade passou, o discurso é errático, umas vezes mais liberal, outras ultramontano, já a roçar terrenos estranhos. No PSD vive-se um ambiente shakespeareano revisitado por Gervásio Lobato, com boa vontade, por Feydeau. Há por ali dois partidos. A abada eleitoral autárquica afastou Passos Coelho, a província ajudou a eleger Rio mas este não pacificou as hostes, onde a aldeia de Asterix (que tem um incendiário Obelix e tudo!) acantonada no grupo parlamentar vive num sebastianismo que, cada vez mais me convenço, acabará por fazer voltar o governante preferido da “troika”. Vão tentar apear Rio até ao final do ano, temendo a “limpeza de balneário” que este fará em S. Bento. Não sei o que o PS deva temer mais: Rio pode não ter muito jeito, mas exala genuinidade e sentido de Estado, enquanto Passos é um agregador automático da Geringonça. Por mim, não tenho dúvidas: António Costa é um excelente primeiro-ministro. Ponto.

6 comentários:

Luís Lavoura disse...

Jerónimo, porque o que depois dele virá saudoso aliado dele fará

Não entendo esta frase. O Francisco não sabe quem virá depois de Jerónimo nem como esse alguém liderará o partido. Ademais, o PCP centra-se no "coletivo", o seu líder tem um poder muito mais limitado do que noutros partidos, é mais um porta-voz do que verdadeiramente um líder.

Anónimo disse...

Pois.....
Dos seus tudo foi bom.

É um pouco como aqueles pais que defendem os filhos dizendo:
O meu filho é um rapaz sério. As influências da boémia é que estragam tudo.
Porque os filhos dos outros é que não prestam.

Falando mais a sério: O que percebemos com estas geringonças foi que quem está no poder tem mesmo que se vergar à Europa. E como se vê na Europa tudo está a virar à direita. Veremos como isto vai evoluir.
Senão seremos NADA.

A sua "informação de serviço" fica a aguardar confirmação.

Reaça disse...

Não confundir Costa com PS.

O Costa é o Costa.

Com Costa pode arder tudo que ele só aparece quando os bombeiros já fizeram o seu trabalho.d

Gostei e apreciei do Tsipras.

Este assume!

A Nossa Travessa disse...

Meu caro Franciscamigo

Não nasci para herói mas também não fui parido em Delfos...

Como diz o povo o futuro a Deus pertence e ainda que tenha sido católico e me tenha curado nunca me esqueço do João Pinto e dos seus "prognósticos só no fim do jogo".

Este arrazoado para dizer que o texto está aliás como sempre muito bem escrito mas é um tanto aleatório. Tenho sérias dúvidas de tudo o que ele encerra; porém concordo com a conclusão sobre o António Costa.

Um abração deste teu amigo e admirador
Henrique, o Leãozão

Anónimo disse...

Costa excelente a maquilhar a realidade e em enganar os parolos !

A muleta BE não engana, ainda sou do tempo em que Ricardo Robles dizia na AML que tinha orgulho das ocupações e nacionalizações nos 11 meses do pós-25 de Abril.

Hoje deve orgulhar-se por ter a oportunidade de poder vir a acumular dinheiro graças à propriedade privada e à especulação imobiliária.

Esquerda tudo diferente mas todos aldrabôes !

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

Muito bem, Sr. Embaixador!

Ó das oito e quarenta e dois da tarde, à direita é tudo gente séria, aliás o BPN deve ter sido uma especie de treino para a atual solução governativa, calculo.
Quando vêm com cenas tipo "todos aldrabões", estamos conversados.

Ricardo Robles...remeto para o Sr. Embaixador no Facebook. Da minha parte a coisa que me irrita é que esse pessoal se arroga de dizer quem é de esquerda ou não.