O Bloco de Esquerda, na sua “universidade” de Verão, defende o “direito à boémia: necessidade de vida noturna para produção e radicalização cultural”. Belo programa! Vamos ser claros sobre aquilo de que se está a falar: copos, música, noitadas, “piquenas” & “piquenos”, talvez com uns charros à mistura. É isso, não é?
Não tenho a menor objeção! Cada um diverte-se como quer, desde que não atazane a vida aos outros, e só lamento que a minha geração, com a louvável exceção dos Situacionistas, nunca tenha levado a teorização das suas noites muito a sério. Agora, ponho-me a imaginar o que seria uma discussão sobre isto no “Bolero” ...
Ontem, comentava o tema, em tom (confesso!) jocoso, com uns amigos e alguém lembrou: “Boémia? Também o Hitler gostava dela”. Fiquei banzado! Para além da Eva Braun, a vida sexual e lúdica do Führer nunca pareceu ser muito animada. E perguntei: “Mas o Hitler gostava da boémia? Não sabia”. A resposta foi: “Essa agora! Então ele não achava que tinha o direito à Boémia e até à Morávia?”