sábado, 21 de julho de 2018

Novo Banco, velhos vícios


Anuncia-se que o Novo Banco vai utilizar para nova sede o antigo espaço militar existente junto da rua da Artilharia 1, em Lisboa, talvez o mais cobiçado lugar imobiliário da capital.

Não conheço os contornos do negócio. Mas, até que alguém me explique isto tim-tim-por-tim-tim, eu, como contribuinte, sinto-me mais do que escandalizado pelo facto de uma instituição que, depois de todas as moscambilhas do BES (em que ninguém foi preso!), foi financiada com dinheiros públicos (alguns dirão, do Fundo de Resolução, e a esses eu respondo: está bem, abelha!), e onde parece que ainda vai ser preciso meter mais dinheiro, estar a mostrar esta largueza de meios.

E gostava muito de ouvir o que o governo tem a dizer sobre isto, até porque já não vivemos no tempo do Dr. Passos Coelho, a quem, num Verão que nunca mais esquecerei, ouvi afirmar friamente que o BES era uma coisa “privada”, em que o Estado se não metia. Era privada, era! Por isso é que lá meteu o Banco de Portugal, que é de todos nós, com uma administração de amigos nomeada e apoiada por ele, que gizou esta “bela” solução, que se tornou num sorvedouro constante e, pelos vistos, ilimitado dos nossos impostos. Situação que o atual governo apenas herdou, sublinhe-se.

Sou dos que percebem, sem a menor dificuldade, que há que ter um sistema bancário sólido e que a vida do país disso depende, pelo que o Estado tem de intervir. Mas não percebo por que não há-de haver uma visível contenção de gastos e uma clara parcimónia no comportamento da banca na sua atuação no mercado. Principalmente no mercado imobiliário...

É que se a venda da sede na avenida da Liberdade é um bom negócio, então igualmente o seria a alienação do espaço na Artilharia 1. Como quem não tem dinheiro não tem vícios, o NB poderia alienar esses ativos ir calmamente para uma periferia lisboeta, bem mais barata, e começar a pagar o que deve aos contribuintes, que não é pouco.

Mas pode ser que apareça alguém a explicar-nos tudo isto...

(TEXTO REFORMULADO)

2 comentários:

Anónimo disse...

Neste espaço, nos anos 1958/59, ali cumpri o meu serviço-militar. Era o Regimento de Artilharia Ligeira nº 1. Recordações tenho algumas, uma delas foi um dia sermos visitados pelo ministro da defesa, de má memória, Santos Costa. O cavalheiro pôs o Quartel em alvoroço…

Sabia que o espaço estava destinado ao imobiliário, trata-se de um dos melhores locais de Lisboa, mas longe estava para saber que se destinava, também, à sede do NB. Mas será que o edifício da Avenida, a menina dos olhos da família Salgado, não tem condições para os serviços? Como é bom gerir o dinheiro dos outros...

Luís Lavoura disse...

Tem toda a razão este post.
Perante a epidemia de turismo que varre Lisboa (e não só), o que os portugueses têm a fazer é começarem a deslocar os postos de trabalho para fora da zona almejada pelos turistas, ou seja, para fora do centro de Lisboa. Em particular os bancos e o governo, devem abrir novas sedes em zonas periféricas (sei lá, o Lumiar) e vender os edifícios da Baixa para hotéis e coisas do género.