terça-feira, 17 de julho de 2018

A finlandização de Trump



”Better than super”, segundo o “New Yorker”, terá sido a expressão utilizada por Sergey Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros russo a uma agência noticiosa daquele país, para qualificar o modo como correu, na perspetiva da Rússia, a cimeira entre Putin e Trump. 

De facto, melhor era impossível. Foi como se o “script” daquela inacreditável conferência de imprensa tivesse sido escrito em Moscovo. O modo como mesmo os meios mais conservadores da América estão a reagir é a prova de que algo descarrilou.

Trump parece ter sido vítima de uma espécie de “finlandização”, essa “neutralidade colaborante” que continua a ser um ferrete histórico na memória do país que acolheu o encontro dos dois líderes. Ao colocar a credibilidade das instituições do país que governa ao nível das garantias de um país estrangeiro contra o qual partilha sanções e cujas ações no plano internacional oficialmente condena, o presidente americano, como se dizia há pouco num outro site americano, ou é um inocente útil ou um instrumento consciente a favor da Rússia ou ambas as coisas ao mesmo tempo.

Tempos curiosos, estes. E perigosos, claro. 

9 comentários:

Joaquim de Freitas disse...

Apesar de sua retórica sobre a substituição de parceiros ocidentais por outros, como a China, Índia, Irão ou associações de países emergentes, como os BRICS, Putin quer restaurar a imagem da Rússia como uma superpotência.

Na mentalidade da classe dirigente russa (que ainda vê Washington como o último critério de referência), isso significa decidir em pé de igualdade com os EUA sobre o sistema de relações e divisão de responsabilidades no mundo. Mas a Rússia quer retornar ao antigo relacionamento sem concessões na forma de compreender sua área de influência, tanto no entorno pós-soviético como fora dele.

Para Putin, a própria realização da cúpula já é um sucesso. O campeonato mundial de futebol melhorou a opinião pública ocidental sobre os russos e mostram-nos mais abertos aos estrangeiros.

A proporção de russos desejosos de que seu país se relacione com o Ocidente como parceiro aumentou (61% contra 43% em Janeiro de 2017) e a dos que vêem o Ocidente como adversário diminuiu (de 31% para 16%).
Putin tem as mãos livres, para agir. O chefe decide. Não há Congresso para o estorvar.

As chances de Trump são limitadas porque a atitude negativa da classe política norte-americana em relação à Rússia não vai mudar, por isso a ênfase está em encontrar pontos em comum que não causem grande irritação aos conservadores do estilo do senador John McCain".

Vai ser interessante ver qual é a moeda de troca entre os dois chefes.

Trump foi encarregado por Israel, de obter de Putin de afastar as milícias apoiadas pelo Irão das fronteiras de Israel e das colinas do Golã.

Este acordo implicaria que as forças do governo sírio apoiadas pelas forças aéreas russas assumiriam o controle do sudoeste da Síria, na fronteira com Israel e Jordânia.

Trump aceitaria assim a Rússia como um factor-chave de estabilidade para Israel por causa da habilidade de Putin de influenciar o líder sírio e de conter a influência iraniana sobre ele.

Resta a saber até onde o Congresso americano deixará Trump conduzir o "deal". A bolsa americana jà reagiu negativamente às aventuras de Trump na Finlândia. As oligarquias da finança e da industria, devem recear que a acalmia eventual nas relações bilaterais, traga uma certa paz que seria nefasta para o "business" das armas. Tanto mais que a UE não reagiu positivamente à visita comercial do seu representante Trump, para investimentos europeus neste produto...americano.

Anónimo disse...

Creio que Trump sabe bem o que está a fazer. Na sua cabeça cheia de factos alternativos, os obstáculos a abater são a União Europeia e a China, pois qualquer um deles é, no seu entender, um risco mais grave para os EUA. A UE é uma potência industrial e comercial demasiado forte para o seu gosto, vendem demasiados BMW e Mercedes ao seu país e a Airbus também faz concorrência à Boeing. A China também lhes vende demasiado e adquire sub-repticiamente muita tecnologia.
O Sr. Trump vai tentar partir a UÉ por todos os meios que puder e a Rússia é um desses meios.

Os EUA foram uma peça central na recuperação e desenvolvimento da Europa após a Segunda Guerra Mundial e este “tonto alucinado” quer quebrá-la, para poder impor melhor o que deseja.

Espero que o povo americano acorde e este senhor seja posto a andar, mas não estou certo que isso aconteça, pois a oposição ainda não foi capaz de reflectir adequamente sobre as razões da sua derrota, que foi centrar-se excessivamente na defesa das minorias, esquecendo a maioria da América.

Luís Lavoura disse...

Tempos perigosos seriam se os EUA, em vez de fazerem como Trump muito bem fez, prosseguissem com atitudes belicistas para com a Rússia.

Veja o Francisco por exemplo as corretas palavras de Ron Paul em

https://www.rt.com/news/433420-ron-paul-msm-russia-enemy/

Augie Cardoso, Plymouth, Conn. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

O Leitor (anónimo) das 10:44 não deixa de ter a sua razão.
A UE vai-se degradando – aos poucos. Quer-me parecer que é um sonho perdido. Não tem líderes à altura. Mesmo Ângela Merkel, após o recuo, ou cedências que teve de fazer perante o seu mais radical parceiro de coligação, ali representado pelo Ministro do Interior, mostrou que a sua liderança chegou ao limite. O que significa que já não é mais a Estadista que noshabituámo a ver. Merkel está em “phasing out”. E, entretanto, no seio da União, a relação de forças vai-se invertendo – para pior. Após as experiências (ou resultados eleitorais) da Polónia, Hungria, República Checa, Eslováquia, temos a Áustria e depois a Itália. E mesmo na Dinamarca, as forças políticas que a governam são de Direita e Direita Radical (se a memória não me falha). E na Holanda, a Extrema-Direita teve igualmente um bom resultado. Quanto à Europa Nórdica e até nos Bálticos, as simpatias por esse tipo de forças políticas não são de desprezar, pelo contrário. Resta saber se um dia Marine Le Pen chegará ao Eliseu. E com o R.U fora da EU, o projecto europeu, com tudo isto, esvair-se-á, um dia. Sinceramente, se a União Europeia vier a ficar nas mãos de radicais de Direita, quer ao nível da maioria dos seus Membros, quer na Comissão, quer no Parlamento Europeu, se calhar mais vale que imploda de vez. Não gostaria de viver num espaço político controlado pelas forças nacionais-populistas. Mais vale cada um por si, se calhar.
Claro que, numa situação dessas, Trump e os EUA tirarão o máximo proveito económico. E Putin o proveito político (mas, nunca militar. Não vejo Putin como uma ameaça militar, como alguns lunáticos insistem em fazer-nos crer. Era um atitude de altíssimo risco, que Putin não correrá nunca).
Um académico inglês, meu conhecido, em conversas privadas sem consequências, dizia-me que após o Brexit o melhor seria o R.U, juntamente com alguns outros Membros da União (como a Polónia, Rep. Checa, Hungria, etc, enfim os “maus da fita”, anti-establishment actual) formar uma espécie de “Associação Europeia Económica-Comercial”, para o que teriam de abandonar a UE, o que enfraqueceria ainda mais a União e levaria ao seu fim. Enfim, hoje, perante o que vou assistindo nesta Europa desavinda e à deriva já nada me admira. E como ainda espero viver mais uns 30tas anos a mais, o que me (ou nos) espera até lá?

Anónimo disse...

Tempos estranhos estes, que em vez de se procurar o desanuviamento e melhores relações acha-se que a crispação e o belicismo é que é.

Anónimo disse...

@Augie Cardoso

Poupe-nos com a sua falta de conhecimento.

Sabe que no dia 2018-07-11 na aldeia de Amesbury que fica a cerca de dez quilómetros de distância de Salisbury (onde se deu o caso Skripal) houve outro caso de envenenamento com Novichok.Não ouviu ou leu nada , pois nao?
Sabe que Porton Down que é a principal estrutura inglesa de pesquisas relacionadas com armas bioquímicas fica entre essas 2 aldeis ?
Se um dia voçê encontrar uma sardinha no chão em vez de pensar que ela veio de Portugal lembre-se que pode ter sido alguem que a comprou ai no mercado local e a deixou cair.

"...Russia a bomba de gasolina..."

Sabe que os astronautas da NASA são transportados para a Estação Espacial Internacional em astronaves Soyuz da Roskosmos?

Sabe que o foguete norte-americano, Atlas V da NASA utilizado em longas expedições espaciais é propulsionado pelos motores RD-180 Russos?

Voçê sabe que é essa arrogâcia e falta de humildade que faz com que grande parte do mundo esteja cansada de voçês?

Tratem da vossa vidinha, deixem parte das 800 bases que teem espalhadas pelo mundo e aproveitem para terem um sistema de saude digno do 1o mundo. Comecem a abater a vossa divida que ja vai em $21,213,338,936.563

http://www.usdebtclock.org/#

Re-industrializem o vosso pais para recuperar os postos de trabalho que perderam para a China graças as grandes multi-nacionais e passem a produzir os bens que antes produziam mas agora são importados de la.

E deixem o belicismo que so faz lucrar o complexo militar industrial, nao vos tras nada de bom apenas mais divida que vao ter de pagar




Joaquim de Freitas disse...

A resposta que convinha a Augie Cardoso, perdido na fobia americana de tudo o que nao é evangelista, ultra liberal e racista. Conheci alguns como ele no Connecticut, mistura infeliz da religiosidade açoreana, bem explorada pela Igreja local, onde a pedofilia deixa marcas de obscurantismo.

Joaquim de Freitas disse...

A resposta que convinha a Augie Cardoso, perdido na fobia americana de tudo o que nao é evangelista, ultra liberal e racista. Conheci alguns como ele no Connecticut, mistura infeliz da religiosidade açoreana, bem explorada pela Igreja local, onde a pedofilia deixa marcas de obscurantismo.