sábado, 28 de julho de 2018

A minha ida à lua


Não sou muito de luas, mas ontem, ao ouvir que a próxima “boa lua” só seria daqui a 105 anos, tive um sobressalto: esta lua, com eclipse e tudo, não me ia escapar! É que, daqui a 105 anos, o céu pode estar nublado e nunca se sabe. 

Porém, o evento lunar coincidia com um jantar em casa de amigos, cujo menu evito detalhar, porque o país, em matéria de inveja, já teve a sua dose de fim-de-semana com “a minha casinha” do Robles. Fui assim para o repasto, mas sempre com a cabeça na lua. Pelo caminho, fui olhando à volta, mas nada de lua! Do lado, no carro, ouvi, a ironizarem: “Não é um eclipse? Então não se vê a lua!”.

Chegámos. O jantar lá avançou, o champanhe que antecedeu um belo alvarinho estava no ponto de fresco. A conversa e as vitualhas (não insistam, não digo o menu!) foram marchando, até que, sobremesa passada (grande ameixas do quintal da casa e umas cerejas de truz, queijos e gelado à parte!), o apelo da lua foi maior do que eu. 

Fui ao jardim e o céu dali nada tinha de excitante. Voltei para dentro, pedi desculpa e saí para a rua. Lua, nada! Meti-me no carro, abri o tejadilho (às vezes, as coisas caem do céu) e fui andando até uma daquelas rotundas sem saída, aí a trezentos metros. Olhei para cima e lá estava ela, ao fundo, rosada como uma moçoila corada perante um piropo (é proibido, eu sei!). Gandalua! Como não sou egoísta, voltei logo à casa, ao pessoal do jantar, e convidei todos a virem comigo (de carro, claro!), ver a lua, cujas maravilhas de aspeto fui descrevendo. Todos se acomodaram, cintos postos e lá fomos, para uma viagem para ver a lua.

Arranquei e, 20 metros depois, não mais!, um dos viajantes do passeio à lua exclamou: “Lá está ela!”.  E estava! A “olhar para nós”! Estaquei o carro. Saíram todos. A gozarem-me. Afinal, a lua via-se dali, quase da saída da porta, e eu, antes, tinha andado 300 metros até levantar a cabeça e olhá-la. A missão lua acabou um minuto depois. Aviada assim aquela bem sucedida expedição astronómica, perguntei se alguém queria “regressar” casa, de carro! E não é que duas senhoras se instalaram no banco de trás, só para terem o gosto de andarem os vinte de metros, conduzidas por um embaixador humilhado?! Saiu-me cara, em dignidade, esta minha ida à lua!

5 comentários:

Anónimo disse...

Qual inveja qual roble (leia-se carvalho sem v)

Esta esquerdalha das p e vinho verde pensa que alguém tem inveja!

O que se lamenta é o estado em que puseram o país!

Anónimo disse...

Senhor Embaixador, achei este post delicioso . Adorei...

Anónimo disse...

Inveja?! Isso é um sentimento muito “esquerdo”. Se houvesse mais vergonha na cara...

Anónimo disse...

Temos de ter em conta as consequêcias astrológicas para as Luas vermelhas.
Parece que vai haver grandes mudanças. "Fasten your seat belts tight".

Anónimo disse...

Vexa e o seus apetites lembram-me este conto de Antonio Torrado

"O ratinho Larico apontou para a Lua e disse:
– Mãe, mãezinha, eu quero comer aquele queijo.
– Meu filho, aquilo não é um queijo, é a Lua.
– Então eu quero comer a Lua...
– Não digas tolices, Larico. A Lua não serve para comer.
A Lua não é um queijo.
– Então eu quero comer um queijo.
– Ratinho impossível! Só pensa em comer. Vou fazer
companhia aos seus irmãos, que são mais ajuizados.
O Larico ficou sozinho a olhar para a Lua, com a água a
crescer-lhe na boca (...)"