segunda-feira, 16 de julho de 2018

A ilusão dos poetas

Na quinta-feira passada, no jardim de uma embaixada em Lisboa, onde o pretexto da reunião era a homenagem a um político poeta - ou vice-versa -, eu referi a “Balada da Neve”, do Augusto Gil, já nem sei bem a que propósito. 

Nesse instante, passou por nós aquele que é, indubitavelmente, um dos maiores poetas portugueses contemporâneos, Nuno Júdice, a quem eu comentei: “Estou a falar de um ‘colega’ teu, o Augusto Gil!”

Para minha surpresa, o Nuno retorquiu: “Bem me enganou, esse Augusto Gil!” Não tendo sido contemporâneos (o Nuno nasceu precisamente vinte anos após a morte de Gil), ficámos à espera da explicação. 

E ela veio: “Eu nasci no Algarve, onde não nevava. Pela “Balada da Neve” aprendi que a neve “bate leve, levemente”, fazendo barulho. Até que um dia, já adulto, assisti à neve a cair e, como toda a gente, constatei que não há nada de mais silencioso do que um nevão”.

Afinal, os poetas também se enganam uns aos outros...

3 comentários:

Anónimo disse...

a batida da neve era leve, levemente. Só ao alcance dos sensíveis a percepção da sua chegada. Não é poeta quem quer.

Ésse Gê (sectário-geral) disse...

"O poeta é um fingidor"

Portugalredecouvertes disse...

bate leve, levemente, não quer dizer que fizesse barulho !
bate porque choca contra, existe um obstáculo que para a viagem dos flocos brancos,

efetivamente bate à janela, sem ruido, mas que bate, bate :)