sexta-feira, setembro 24, 2010

Diplomata

Teve vários e prestigiantes postos na sua vida, que cumpriu com inteligência e estudado enfado. Mas só tinha um único lema, seguindo o "motto" de Clemenceau: "o meu antecessor é sempre um imbecil e o meu sucessor é sempre um incompetente".

12 comentários:

  1. "o meu antecessor é sempre um imbecil e o meu sucessor é sempre um incompetente".

    E... ele o melhor.

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  2. tal qual como com os governos eleitos. A culpa e responsabilidade do que está mal é sempre do que saiu e eu faço falta pois sou eu que resolvo bem os problemas, negócios do estado ou da embaixada, não o próximo.
    na verdade, ainda há partido, do governo e oposição, que centram os debates no que se passou há 15 anos e não no presente ou futuro.
    ps. os diplomatas ainda se vestem assim ou é uma caricatura desse tal diplomata (do trajo) muito convencido?

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  3. Noutra versão: "... o meu sucessor é sempre um intriguista".

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  4. Senhor Embaixador,
    Volto. A intriga é uma "moléstia", infelizmente, muito comum nas missões diplomáticas.
    .
    Se for um chefe de missão que emprenhe pelos ouvidos, alguém que faz alguma coisa será o atingido.
    .
    Servi um embaixador que quando assumiu a gerência do posto, chegou com os ouvidos cheios, além da carta deixada, na missão, pelo colega.
    .
    Mas desde logo informou o número dois: "eu vou analisar o pessoal e depois pronuncio-me. Não vou pelas informações, na carta, que me deixou o meu predecessor".
    .
    Grande homem! E o melhor que servi.
    Saudações de Banguecoque
    José Martins

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  5. Outra do velho Tigre também aplicável ao MNE:
    "A escadaria do Ministério é um sítio onde as pessoas que chegam atrasadas se crzam com as pessoas que saem antes do tempo".

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  6. Caros comentadores: as graças que aqui se dizem sobre algumas figuras mais castiças da fauna diplomática não podem iludir a realidade - desculpem lá! - de que o corpo diplomático português é, na sua grande maioria, constituído por gente de grande sentido de Estado e de elevado sentido de responsabilidade profissional. Que isto fique bem claro!

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  7. E sabemos rir-nos de nós próprios, grande qualidade pouco partilhada em geral...

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  8. o primeiro comentário jocoso que deu origem aos outros foi o do autor do blogue, palavras sublinhadas pela ilustração.
    Mas se uma situação tipo é glosada e comentada em brincadeira, isso nada tem a ver com o profissionalismo do corpo diplomático, que é real, não tenho duvidas

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  9. Anónimo09:02

    Subscrevo a Margarida...

    Até porque já foi devidamente decapitado...Na foto

    E é a inspiração de maiorias das chefias de topo e mesmo intermédias, aliás sem esse argumento como se contextualiza a impotência personalizada? É duro...
    Isabel seixas

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  10. Quando o convenceu de que é a medida de todas as coisas, o diabo inventou nele o metro.

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  11. Anónimo13:47

    "Talvez, por efeito desta conversa, voltou-me, agora mesmo,(...), a ideia apaixonante de uma espécie de paralelismo entre a experiência de um político na prisão e a experiência de um diplomata no estrangeiro.(...)É uma idéia que tem me ocorrido diversas vezes sob ângulos vários, quando preparava a biografia de Rio Branco, portanto, ante ao espetáculo de um homem vivendo por mais de trinta anos no estrangeiro e deparando-se um dia com a destinação de ter que retornar ao seu País para desempenhar um papel histórico em plenitude de personalidade, sabedoria e grandeza. Mas com outros diplomatas, ao contrário, quantos deles que só fazem murchar em estolidez ou se debilitarem em viciações-e isto por efeito da incapacidade de ânimo para a existência! Com efeito, em grande parte, e quanto às consequências, a vida no estrangeiro constitui para os homens uma prova psicológica semelhante àquela que se tem com a experiência das prisões ou com o ostracismo político. Aos fortes, enrija e eleva; aos fracos, rebaixa e degrada. A vida no estrangeiro, aos fortes enrijece em ânimo, enriquece em perspectiva, engrandece em personalidade, tornando-os mais interessados e compreensivos no ver de perto ou por dentro os problemas de seu País, mais conscientes e lúcidos em integrar-se na sua comunidade nacional. E, assim, nem porque-ufanistas, nem pessinistas de espírito descarnado na impotência do esnobismo e do bovarismo. Aos fracos, a vida no estrangeiro corrompe a natureza humana, degrada a sensibilidade nativa, amesquinha a visão pessoal como num círculo de peru, transformando-os em melancólicos 'déracinés', forrados em estufas de egoísmo pessoal e frívolidade social. E, deste modo, destroçados em sua vida interior por efeito daquele desespero dos frustrados que se disfarça em ceticismo e diletantismo".
    *Álvaro Lins(In:"MISSÃO EM PORTUGAL";p.190-191; EDITORA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA; RIO DE JANEIRO; 1960).

    Vale!

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