Acaba de ser revelado um bem guardado segredo desta classe política: desde há várias décadas, os correios franceses emitiam selos, em folhas não picotadas, uma espécie de "provas de luxo", que se tornavam rapidamente em raridades, muito valorizadas no mercado filatélico. Estas folhas eram destinadas aos ministros que tinham a seu cargo o serviço de correios, mas também primeiros ministros e presidentes da República. De todas as orientações políticas e em tempos muito diversos. Alguns dos beneficiados transacionavam essas raridades e garantiam, assim, um valor interessante, que se agregava ao respetivo salário mensal. Esta prática terá acabado durante a presidência de Jacques Chirac e é agora tornada pública num livro de um ex-ministro do atual governo.
As raridades filatélicas fazem parte da mitologia de quantos, como eu, se dedicaram na sua juventude a essa aventura magnífica que era a filatelia, por onde aprendíamos geografia, história e paciência. Recordo a emoção que tive, a primeira vez que estive em Paris, ao deparar com a casa "Yvert & Tellier", editora daquele que foi, durante muitos anos, o grande catálogo filatélico mundial. No nosso burgo, vivia-se então apoiado nos catálogos "Eládio de Santos", "Simões Ferreira" e "Mercado Filatélico", bases orientadoras das nossas coleções.
Nos dias que correm, em que já quase ninguém escreve cartas, onde os selos deram lugar a carimbos, a filatelia já não é o que era. Nem sei bem onde pára a minha coleção... Mas, depois da notícia de hoje, pergunto-me: e em Portugal, alguém beneficiou de "borlas" dos CTT? Há por aí alguma "dupla impressão" disponível?
Deixo-os com uma imagem que, estou certo, criará saudades aos filatelistas da minha geração.
