quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Jornal do Brasil

Deixou ontem de se publicar a edição em papel do "Jornal do Brasil", passando apenas a formato digital.

Não pode deixar de se ter um sentimento de pena pela desaparição daquele que chegou a ser um dos grandes órgãos de informação da América Latina, como tal reconhecido em todo o mundo.

Nos anos 80, numa visita ao Rio de Janeiro, recordo-me de ter ficado impressionado pela qualidade daquele jornal, com um estilo gráfico que seguia então de perto o "The New York Times". Quando, em 2005, fui trabalhar para Brasília, o contraste entre o diário que conhecera e o que então se publicava era já flagrante.

Por virtude de algumas opções erradas de gestão,  o "JB" entrou, na última década, numa crise financeira de que nunca recuperou. O jornal ressentia-se visivelmente de alguma penúria de meios e o abandono do modelo "broadsheet", com a adoção de um formato tablóide, que tem pouca tradição local em jornais daquela índole, também não terá ajudado. Já sem a antiga capacidade de expansão nacional, o "JB" vivia muito do "gossip" político e social, para além de algumas boas colaborações e colunistas. Mesmo no Rio, deixara-se ultrapassar por "O Globo" e arrastou na sua crise aquele que também foi um grande diário económico, a "Gazeta Mercantil". Resta-me a consolação pessoal de ainda ter tido a possibilidade e a honra de publicar alguns artigos, quer no velho "JB", quer na "Gazeta".

Quem quiser experimentar a versão eletrónica do JB, pode, a partir de hoje, clicar aqui.

2 comentários:

Julia Macias-Valet disse...

"CONTRE LES BÛCHERONS DE LA FORÊT DE GASTINE"

Ecoute, bûcheron, arrête un peu les bras !
Ce ne sont pas des bois que tu jettes à bas ;
Ne vois-tu pas le sang, lequel dégoutte à force,
Des nymphes qui vivaient dessous la dure écorce ?
Sacrilège meurtrier, si on pend un voleur
Pour piller un butin de bien peu de valeur,
Combien de feux, de fers, de morts, et de détresses,
Mérites-tu, méchant, pour tuer nos déesses ?
Forêt, haute maison des oiseaux bocagers,
Plus de cerf solitaire est les chevreuils légers
Ne paîtront sous ton ombre, et la verte crinière
Plus du soleil d'été ne rompra la lumière.
Plus d'amoureux pasteur, sur un tronc adossé,
Enflant son flageolet à quatre trous percé,
Son matin à ses pieds, à son flanc la houlette,
Ne dira plus l'ardeur de sa belle Jeannette.
Tout deviendra muet, Echo sera sans voix,
Tu deviendras campagne, et, en lieu de tes bois
Dont l'ombre incertain lentement se remue,
Tu sentiras le soc, le coutre et la charrue;
Tu perdras ton silence, et, haletants d'effroi,
Ni Satyres ni Pans ne viendront plus chez toi. (...)

Pierre de Ronsard (1524-1585)
In "Mille ans de Poésie"

TANT DE FORÊTS

Tant de forêts arrachées à la terre
et massacrées
achevées
rotativées

Tant de forêts sacrifiées pour la pâte à papier
des milliards de journaux attirant annuellement l'attention
des lecteurs sur les dangers du déboisement des bois et forêts.

Jacques Prévert (1900-1977)
In "Arbres"

Caro Embaixador compreendo a sua "dor" e "Lo acompagno en el sentimiento" mas que melhor prenda poderia ter feito o "Jornal do Brasil" à Floresta da Amazonia no Ano da Biodiversidade senao esta ?

Très bonne Rentrée para si e para os amigos bloguistas que por aqui vou cruzando : )

Anónimo disse...

Todo império tem seu ápice e seu declínio.
Quem diria que outrora o mundo falava latim, "e pluribus unum".
Infelizmente não só perdemos isso como perdemos nosso português arcaico abrindo espaço para um português "bizarre".
Agora que tudo se fora, nada mais tem importância nem o Público, Jornal Do Brasil, Le Monde ou TNYT.
Eu concordo com a Julia também mas a Komatsu, John Deere, Caterpillar, indústrias químicas e de celuloses, carvoeiras e moveleiras não!=(