Seguidores

Se quiser ser informado sobre os novos textos publicados no blogue, coloque o seu email

segunda-feira, setembro 06, 2010

"Librairie de France"

Era apenas uma porta com duas montras, um espaço interior reduzido, no Rockefeller Center, a dois passos da 5ª avenida. Quando vivi em Nova Iorque, ia lá, de quando em vez, relembrar a cultura francesa. Os preços eram escandalosamente altos e as novidades de Paris demoravam a chegar e, quando chegavam, era em número restrito de exemplares. Agora, uma pessoa amiga fala-me do seu encerramento.

Um dia, comprei, na "Librairie de France", "Le mort qu'il faut", de Jorge Semprún, com aquela capa discretamente elegante que a Gallimard dá às suas edições. Como a todos nos acontece, ligo a compra de alguns livros a momentos da vida. Esse era um dia de sol de primavera, daqueles que, em Nova Iorque, dão àquele movimento incessante de pessoas, sob o inconfundível ruído de fundo da cidade, um ambiente de "déjà vu" cinematográfico. Recordo, como se fosse hoje, o prazer que tive em assentar arraiais, por algum tempo, à hora de almoço, num banco público, perto do Empire State Building, a iniciar a leitura do livro. E lembro o contraste que senti, ao apreciar o trágico mas belo relato autobiográfico da saída do campo de cencentração de Buchenwald num  cenário como aquele.

António Lobo Antunes

Morreu António Lobo Antunes, um dos escritores maiores da língua portuguesa. Seu leitor desde o primeiro livro, só o vim a conhecer pessoalm...