terça-feira, 7 de setembro de 2010

Bélgica

Por uma qualquer razão, ligada ao que julgo dever ser a esperança num bom-senso residual, não me apetece acreditar na possibilidade de irmos assistir a uma partição da Bélgica e à emergência de duas entidades nacionais autónomas, dela resultantes. Para além da tristeza que causa ver a desaparição de um país que tinha ganho uma forte identidade à escala global e, em especial, dentro do projeto europeu, entendo que essa divisão, se acaso vier a ter lugar, terá um efeito muito nefasto em toda a Europa. A Bélgica não é a Jugoslávia, com todo o respeito que esta me merecia. O efeito de contágio (Escócia, Catalunha, Padania, etc) não é de excluir. E o rei dos belgas (que, por alguma razão, não é constitucionalmente o rei da Bélgica) onde ficará, em tudo isto? Volto a dizer: espero que o bom-senso ainda prevaleça.

15 comentários:

patricio branco disse...

Hoje, na europa, pequenos países podem perfeitamente sobreviver e prosperar. Não falo de malta, chipre ou andorra que já existem e são a prova. Falo dum futuro de fragmentação, de haver um real país basco, uma catalunha independente, uma escócia próspera e separada do reino unido. E tudo através de processos sem guerras civis ou lutas separatistas. A belgica poderá dividir se em 2 países, e então? Bruxelas lá estará, tão próspera como agora.
A italia e a alemanha do sec 19 eram uma multidão de reinos, a peninsula iberica já o foi, o passado pode repetir se no futuro e que sabemos nós sobre o que é melhor ou pior?

Carlos II disse...

De acordo com patricio branco. Além disso, ainda há que contar com a futura Federação de Estados Europeus a atenuar a questão.

josé albergaria disse...

Caro Embaixador,
Comungo da sua "preocupação".
Vivi, trabalhei, amei, fiz um filho na Bélgica.
Muitos dos meus heróis (Brel,Henri Pirenne,Bárbara,Delvaux (pintor e o cineasta), Magritte, De Coster, etc) são belgas.
Contudo, a Bélgica tem clivagens, que outros países não têm.
Logo a linguística. Depois a religiosa (católicos e laicos). Depois a dinámica económica, que já foi liderada (no tempo do carvão e do aço)pela Valónia, mas agora, com as indústrias tecnológicas está sedeada na Flandres, com saída directa para os portos de mar.
É nos egoísmos ecopnómicos que pode estar o risco de implosão.
O Rei pode ter, como já teve no passado (por boas e más razões: estou a recordar-me de Leopoldo I e da questão Real) um papel decisivo.
Assim deus proteja a Bélgica, minha segunda pátria.
Cumprimentos,
J. Albergaria

Anónimo disse...

O risco de separatismos existe sempre. Como exercício de História virutal, pode imaginar-se a elevação da Galiza a distrito de Portugal, a independência do Algarve e por aí adiante...

António Mascarenhas

Alcipe disse...

Sim, o Algarve, por exemplo : merecíamos a independência! Resta decidir quem escreve o hino...

Causa Vossa disse...

Estou convencido que por este andar, o da negação da evidência, ainda assistiremos à secessão de Portugal.
Não de um novo ordenamento onde constem em vez de 300 e tal câmaras, cento e tal, ou diminua para um terço o número de freguesias, ou acabem os governadores civis, mas uma secessão entre os que efectivamente trabalham (num conceito vasto de verdadeiro valor acrescentado palpável e não a redistribuição espertalhona ad infinitum!), mas talvez até de um ordenamento secessivo baseado nos nós e os outros.
Nós, os que vivemos satisfeitos, anafados, radiantes e rediosos com o presente, que nos mantêm muita acima da tona, e os outros, a maioria, a maralha, um povo que albarda sem um som, um queixume, agora licenciado, mestre, doutourado, mas expatriado, porque pertence ao mundo dos "repulsos" e atirados para fora pela nomenklatura vigente.
Haverá maior e mais preocupante secessão que esta. Não! Mas o politicamente correcto da vox não populi, a estes fatos e ação (e casacos,...), obriga!

patricio branco disse...

voltando ao assunto:
ao lado da belgica existe o luxemburgo, país de pequena área mas próspero e totalmente viavel. A ex jugoslavia fragmentou-se porque assim tinha de ser e melhor assim. A flandres e a valónia têm problemas em ser governadas em conjunto, um dia poderá ser inevitavel a divisão da belgica em 2 estados separados, mas que terão condições para existir e prosperar.
Compreendo a tendencia de separação quando uma região apresenta profundas diferenças culturais dentro do todo onde está integrado e é viavel economicamente, casos da catalunha e da escócia.
Já na provença, alentejo ou devonshire não teria sentido uma separação.
Houve as unificações e anexações ao longo da historia e agora notam-se as forças contrarias, voltar ao estado anterior em alguns dos casos.
Que a suiça nos conte o segredo da sua forte coesão dentro da sua grande diversidade. Não há regra sem excepção.
Ps. isto nada tem a ver com a teoria infeliz de j saramago de que portugal se devia integrar na espanha, perdendo a independência e tornando-se uma região da espanha monarquica, acho que era assim.

Anónimo disse...

Alcipe ao mencionar o Algarve, levou-me a pensar também nas Berlengas. E se lhes passa algo na cabeça e vão-se? Tornam-se independentes?
No caso da Bélgica, teríamos Bruxelas como “Cidade-Estado capital da Europa”?
Mas confesso que me daria um certo gozo ver a Escócia e a Catalunha independentes. E já agora, porque não Sean Connery como 1º Presidente da Escócia?
Aguardem-se as cenas dos próximos capítulos.
P.Rufino

patricio branco disse...

outro cenário, a propósito do comentário de alcipe: imaginemos um algarve independente. Meios de subsistência tinha os de certeza, desde o turismo, à agricultura e pescas. Depois, haveria uma cooperação reforçada com a andaluzia que cresceria rápidamente (investimentos, tgv faro-huelva-sevilha).O intercâmbio é já grande, são aos milhares os andaluzes que compraram a sua segunda casa no algarve.
e o hino e quem o escrevia vinha depois.
Felizmente que o algarve não entra na sociedade internacional das regiões que têm tendências e razões separatistas, mas fazer um pouco de ficção politica tambem é divertido.
Mas já não seria ficção defender o algarve como região autónoma, a exemplo do que acontece com as nossas ilhas e a vizinha andaluzia.

Anónimo disse...

A Bélgica não é a Jugóslavia. Não há "ódio visceral", "lutas étnicas seculares", "nacionalismos separatistas", "casamentos mistos", "barreiras linguísticas exageradas", como houve aqui, na Jugoslávia respeitada, não é, Embaixador?

Anónimo disse...

O que me parece bem interessante, no caso da Bélgica, é o facto de estar há três meses - e só desta vez - sem governo e, aparentemente, tudo seguir com relativa normalidade.
Será que estamos perante um caso similar ao daquele funcionário que faltou um dia ao serviço e o chefe percebeu que, afinal, ele não era necessário?
Com as necessidades de cortes na despesa dos Estados, se alguém se lembra e a moda pega...

JR

patricio branco disse...

para terminar, apenas um agradecimento ao dono do blogue por nos ter fornecido este bom tema para comentar (e poderíamos continuar)e pelo espaço que nos deixou usar para escrevermos

Mônica disse...

Eu espero que a Belgica faça aquilo que a nação queira.
Aqui no Brasil não tinha lido nada sobre isto ainda.
com carinho MOnica
Foi bom ficar sabendo

Carlos II disse...

Resumindo e concluindo:

Vem aí uma Europa a que nós não estavamos habituados.
Não será a Comunidade Económica Europeia (por enquanto só económica, depois será política) um pronúncio de uma Europa federada a caminho do governo mundial?

Nuno Sotto Mayor Ferrao disse...

Caríssimo Senhor Embaixador Francisco Seixas da Costa,

Desconheço as razões que estão a motivar o fraccionamento da Bélgica, mas é triste para o espaço Europeu assistir ao seu eventual desmembramento, dado que neste país estão boa parte dos símbolos da unidade Europeia. Espero que esta emergência de novos nacionalismos não seja fruto da falta de rumo estratégico da Europa e do mundo Global que se confronta com enormes desafios!

Por que razão reaparece neste momento na Bélgica este fenómeno de desunião entre valões e flamengos ? Há alguma conexão entre a fragilidade da actual União Europeia e o enfraquecimento da unidade das comunidades que formam o Estado Belga ?

Saudações cordiais, Nuno Sotto Mayor Ferrão
www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt