Agora, foi-se Claude Chabrol. Da fornada criadora da "Nouvelle Vague" - e, antes, dos iniciadores dos "Cahiers du Cinéma" - restam apenas Jean-Luc Godard e Jacques Rivette. Com uma obra onde o mistério, o "suspense" e o humor se cruzaram frequentemente, onde ressalta uma acidez irónica contra a burguesia e na qual usou sempre de um tratamento muito particular para as figuras femininas, desaparece o cineasta que mais próximo ficou de uma fonte inspiradora dessa fantástica geração do cinema francês: Alfred Hitchcock. Há quem ache que Chabrol se deixou tentar pela facilidade, pelo cinema (e filmografia televisiva) "fácil", imposto talvez pelo ritmo intenso de filmes produzidos, por um culto excessivo do enredo policial, o que o levou a executar algumas obras que acabam apenas por ficar nos pés-de-página da cinematografia mundial. Talvez, mas, para mim, era um autor onde sempre brilhava o génio.
Para quem o conheça mal, recomendo o seu clássico, de 1958, "Le beau Serge", onde são inegáveis as referências ao neo-realismo italiano. E espero ter oportunidade de ver, proximamente, "Bellamy", com Gérard Dépardieu, que concluiu em 2009.
