quinta-feira, 16 de setembro de 2010

SEAE


Noutros tempos, a sigla SEAE significava apenas, entre nós, "Secretaria de Estado dos Assuntos Europeus". Agora, também quer dizer "Serviço Europeu de Ação Externa". Mas nada de confusões: uma coisa é a política externa europeia, outra coisa é a nossa política nacional para a Europa! 

Ontem, foi anunciado o primeiro grupo de nomeações para a chefia das novas "embaixadas europeias" pelo mundo, no quadro desse SEAE. Alguns comentaristas  lusos parecem algo desiludidos pelo facto de candidatos de nacionalidade portuguesa não terem "ganho" lugares nos paises de expressão portuguesa. Confesso que não acho que isso tenha uma importância decisiva, embora perceba que possa haver quem veja nisso algum simbolismo.

O importante - e que não vi referido com suficiente ênfase - é que esta evolução da política europeia não conduza, entre nós, ao aparecimento de peregrinas ideias no sentido de um ainda maior subdimensionamento da nossa rede diplomática. A Europa criou estruturas para representar os interesses comuns aos (por ora) 27 Estados membros. Mas as "embaixadas europeias" não estão lá para tratar das relações externas de cada um dos países, da promoção da nossa língua e cultura, da ajuda aos nossos empresários ou da preservação das nossas alianças históricas ou estratégicas. Que isto fique bem claro!

Para a chefia deste SEAE, a "ministra dos negócios estrangeiros" europeia, sra. Ashton, aceitou um excecional diplomata francês, Pierre Vimont (na foto), até agora embaixador da França em Washington. Vimont é um bom amigo pessoal, há bastantes anos. É um homem de uma extrema delicadeza pessoal, que vai de par com uma notável eficácia e pertinácia. Estou seguro que vai fazer um lugar à altura das expetativas de quem o escolheu. "Bon courage", Pierre!

1 comentário:

jj.amarante disse...

Dar preferência a diplomatas da ex-potência colonial no relacionamento da Europa com as suas ex-colónias parece-me um critério passadista e bastante mau, embora num ou noutro caso possa existir a vantagem de um melhor conhecimento mútuo.