Eu havia jantado com ele, numa passagem breve por Londres. Era um diplomata mais promissor do que o futuro iria confirmar, muito seduzido por uma certa imagem de si próprio e, talvez por isso, algo desatento à substância. Talvez o facto de ser um solteiro de sucesso potenciasse esse seu narcisismo, que se pressentia à distância.
Regressado a Lisboa, encontrei um conhecimento comum, uma pessoa de fora da "carreira". Falámos no diplomata de Londres e ele, cruel mas brilhante, definiu-o nesta "pérola": "Veste-se como ele julga que os ingleses se vestem". Tinha razão.
