quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Recibo

Há um mistério que sempre me ultrapassou.

Por exemplo, no Brasil, quando se faz uma compra, não há mais nenhum talão de despesa que nos seja passado para a mão que não seja a "nota fiscal" (recibo). Em França passa-se o mesmo.

Em Portugal, no comércio, ao adquirir-se algo, dão-nos, na maioria dos casos, um papelinho que regista o valor dispendido e, depois, perguntam (quando perguntam): "quer recibo?" É claro que, muita gente, por inércia, acaba por não pedir recibo, o que faz com que o comerciante embolse o valor do imposto incluído na conta que acabámos de pagar. Por que razão não passa a ser obrigatória, em Portugal, a emissão automática de recibo e proibida a emissão de qualquer outro comprovante de despesa?

Se queremos caminhar no sentido de evitar, cada vez mais, a evasão fiscal, parece-me que esta seria uma medida óbvia. Mas, se não é praticada, então devo ser eu que estou a ver mal o problema...

14 comentários:

Rubi disse...

Para ser sincera, faz-me mais confusao os salarios milionarios dos administradores das empresas publicas, as reformas que os deputados conseguem por 12 anos de trabalho, os motoristas, e ajudas de custo, e cartoes de credito e acumular ordenados com reformas etc do que este assunto que levanta, embora ate' lhe de razao. Sao sempre os mesmos a levar com os apertos e isso cansa e desmotiva!

Carlos II disse...

É verdade e é uma coisa que me aborrece!
Quando me fazem a pergunta se desejo recibo, logo replico: Isso nem se pergunta!

patricio branco disse...

está a ver bem o problema

Anónimo disse...

Interessante comentário o de Rubi, cujas críticas, ou reparos, subscrevo inteiramente. Estou para ver quando haverá coragem para propor taxas de IRS que possam ir até aos 65%, para quem aufere mais (rendimentos de pessoas singulares). Progressivamente, de 45% do que já existe, para 65%.Não é cortando apenas na função pública, mas ir mais além e acabar com muita mordomia. Por exemplo, em muitos gabinetes, institutos, empresas públicas, etc, há um sem número de figuras, os tais assessores, que beneficiam dessas mordomias, desde tlm, a motorista. Conheço vários casos, como outros também conhecem. Quanto ao que o Post muito pertinentemente refere, sim, de facto justificava-se a emissão de um só recibo, para evitar essas fugas ao fisco. Também não consigo perceber o porquê de ainda não ter sido posto em prática!
P.Rufino

Anónimo disse...

Desculpe Sr. Embaixador, mas...no Brasil, na esmagadora maioria dos casos, é preciso pedir a 'nota fiscal', nomeadamente no pequeno comércio e restaurantes do RS, SC e PR.
Nos restaurantes destes estados dão uma 'nota de controlo' para apresentar a conta, e, invariávelmente, quando é pedido uma nota fiscal à guiza de 'pedido de desculpas' perguntam se pretende que a 'notinha' tenha um valor superior ao dispendido.
Joaquim do Carmo

Mônica disse...

Eu sempre pego nota do que compro. Só se não tiver jeito mesmo
com carinho MOnica

Nuno Sotto Mayor Ferrao disse...

Caríssimo Senhor Embaixador Francisco Seixas da Costa,

Essa é, na verdade, uma questão prática que faz todo o sentido. Também sempre me fez confusão um papel duplicado de compra, para nós - consumidores. Até pela questão da preservação ecológica das nossas florestas...

Parece-me, pois, que essa sugestão é bem pertinente, para mais, no presente contexto, de profunda crise das finanças públicas que está na ordem do dia, em que a evasão fiscal é uma burla agravada ao Bem Público!

Saudações cordiais, Nuno Sotto Mayor Ferrão
www.cronicasdoproferrao.blogs.sapo.pt

Cunha Ribeiro disse...

Sr Embaixador,

Que belo serviço que acaba de prestar ao país que é nosso.

O Sr Embaixador acaba de tocar na chaga económico-político-social que acaba "obrigar" o governo a tomar medidas socialmente injustas.
A ultra-deficiente cobrança fiscal conduz à necessidade de obrigar a pagar mais quem já paga - os funcionários públicos.

E os outros?

Os outros nem pagam à entrada ( no irs) nem à saída ( na baixa forçada dos seus salários). Este é afinal um caso ainda não estudado de DUPLA TRIBUTAÇÃO.

É ou não é?

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador não posso estar mais de acordo. Desde o Banco de Portugal que travo essa luta...
Quando nas aulas trato de tributação nunca deixo de abordar esse aspecto. Mas instrução e educação nem sempre andam juntas. Infelizmente!

M.azevedo disse...

Isto é laxismo, mas não é só no comercio. Nos consultórios, em muitos casos, se quizermos recibos pagamos mais. Porque não nestes casos um registo(fornecido pelo estado) para consultas marcadas, consultas efectuadas e recibos passados. A ASAE, como vai as Feiras, pode ir também a um consultório e à saida pergunta a um cliente, Foi consultada? sim, Tem recibo,não. perante isto a multa não pode ser pequena pois sendo assim o crime compensava.A economia paralela,anda por todo lado.combatam-na,é mais facil do que apagar incendios,e com menos custos. Cumprimentos

LP disse...

O ser humano tem tendência a proteger / elogiar o esperto ao invés o inteligente (nada de confusões com o iteligente).

Quem já não ouviu a frase: "E se fôr sem IVA?"

Fernando Frazão disse...

Nós somos coniventes com a evasão fiscal.
O LP colocou o dedo na ferida.
À pergunta "e se for sem IVA" a resposta é quase sempre a mesma.
Sem.
Outra questão tem a ver com e restauração, onde, por lei vigente, são obrigados a passar recibo se a despesa for superior a 10€.
Por mim, já há muito tempo que não saio de sítio nenhum sem o respetivo recibo.
E há pergunta habitual respondo sempre.
Nem se pergunta.

renato disse...

Sò há uma "pquena coisinha" que não percebo.. o IVA é um imposto para os comerciantes...e incide pelo mais valor que eles acrescentam ao produto...Por isso é injusto que repercutam esse imposto no preço final...fazendo-o quem paga o imposto é o consumidor final e não o comerciante...A justiça só se repõe, quando o consumidor final puder opor o iva que lhe foi cobrado em cada aquisição a qualquer crédito que o estado tenha a quaquer nivel em relação asi..ou então poder juntar isso para reeembolso como o fazem os comerciantes em relaçaõ ás aquisições que fazem a outros comerciantes...

Anónimo disse...

Em frança o tal recibo de que fala, aquele que acompanha um café (com copo de água) ou a compra de um DVD na FNAC, não tem valor fiscal. Para isso é preciso pedir factura, na qual esse talão de caixa é agrafado.