quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Europa "à la carte"

Uma grande maioria dos portugueses, ouvida numa sondagem, afirma-se favorável à existência de "mais Europa" para responder à crise. Seguramente que, desta maioria, faz parte uma outra, também portuguesa, que acha que a adoção do euro foi uma má medida.

Imagino eu que, se perguntada, uma imensa maioria se mostraria satisfeita com o facto de ter sido possível obter, a nível europeu, um conjunto de respostas de natureza financeira que permitiu estancar a ameaça que pairava sobre as economias dos Estados membros, que havia já afetado a Grécia e que se preparava para se estender a Portugal. Destes, não sei qual a percentagem de quantos, "patrioticamente", recusam legitimidade para as instituições europeias olharem para os orçamentos nacionais e neles "lerem" se estão a ser levadas a cabo medidas de contenção do défice. (Diga-se que esta "legitimidade" decorre dos tratados que Portugal assinou, aprovou por larga maioria parlamentar e ratificou)

Haverá tradução "europeia" para a expressão - não por acaso, portuguesa - "ter sol na eira e chuva no nabal"?

9 comentários:

Anónimo disse...

Há ...
Do ponto de vista da Gestão inteligente...E da liderança...

"Não há nada mais desigual que tratar de forma igual coisas e ou pessoas diferentes."

Daí que...É capaz de ser Arte Sol na eira e Chuva no nabal...
Isabel Seixas

José Martins disse...

Senhor Embaixador,
Do meu lado digo não a "mais Europa". E digo porquê?
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Porque a Europa foi uma tragédia para Portugal e encontra-se, presentemente, onde está porque se inseriu no lugar errado.

Portugal é um país que se formou em 1125, por D.Afonso Henriques e foi vivendo com os portugueses que tinha, com sangue suor e lágrimas.
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O teritório português sempre esteve sob a cobiça e a tentação de ser conquistado. Sobreviveu mesmo depois de 60 anos estar jungado à canga dos vizinhos espanhois.
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Ora Portugal na União Europeia fez perder, âs novas gerações, o sentido do amor Pátrio e não só se Portugal não sai de pronto da União Europeia deixará de existir como nação, independente, que nasceu há 885 anos.
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Uma tragédia que desde já existe em que a pátria portuguesa está em perigo.
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A Europa é composta de gente de várias etnias e esta, no futuro, nunca se acomodarar com a tal Europa unida se apregoa.
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A Europa está uma velha, trópega e cansada, como o estava nos anos de 1500 e de quando os portugueses descobriram o caminho marítimo para Índia e rejuvenesceu a europa cheia de fome e de pestes medievais.
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Mas nos dias de hoje a Europa já não vai nascer outra vez, porque o China, passado 510 anos descobriu a Europa e a União Europeia abafada e não vai sobreviver a "mais Europa" para cada país inserido no club.
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Saudações de Banguecoque
José Martins

patricio branco disse...

Dentro da europa dos 27 e do euro, temos direitos (sol) e deveres (chuva). Tambem pode ser ao inverso: chuva (direitos) e sol(deveres).
Mas o que se ouve são os gritos de que bruxelas está a roubar a nossa soberania, como se não fosse antes com um defice descontrolado que a perdemos.
E a gritaria contra a alemanha "esse país arrogante e rico que quer impôr regras aos mais pequenos", como se numa sociedade um sócio responsavel não tivesse o direito na AG de chamar a atenção dos outros.
E a falta de informação e esclarecimentos a nivel de quem tem obrigação de os dar ao cidadão (governo, partidos, comentadores)e nada faz nesse sentido?
etc, etc.

Julia Macias-Valet disse...

Os franceses dizem : "vouloir le beurre et l'argent du beurre".
http://www.expressio.fr/expressions/vouloir-le-beurre-et-l-argent-du-beurre.php

ARD disse...

Tem toda a razão.
Seria bom que os "patriotas" que refere executassem este singelo exercício: imaginar o que seria hoje Portugal se se tivesse mantido fora da construção europeia.
A opção pela partilha da soberania no seio da União é o preço que temos (nós e os outros) que pagar pelo enorme salto no desenvolvimento que experimentámos durante os últimos 30 anos.
A memória dos povos é curta; ainda mais curta é a memória das pessoas, dos portugueses neste caso, sempre preparadas para mitificar e matizar (não é uma bonita palavra, Alcipe?) de tons róseos a apagada e vil tristeza em que o país vegetava antes disso.
É a mesma reacção que a dos que anseiam pelo aparecimento de um novo salazar porque "no tempo da outra senhora vivia-se melhor" e se esquecem das misérias financeiras e morais em que sobreviviam nessa altura.

Anónimo disse...

ou ainda, em versão mais ousada: "le beurre, l'argent du beurre et le cul de la cremière"

José Martins disse...

Senhor Embaixador,
Desculpe-me por favor de voltar.

Quando Portugal entrou no clube de facto estava economicamente nas lonas e de lá vieram uns dinheirinhos que muito jeito fizeram, pelo menos para se riscar de preto o país.
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Portugal sem a União Europeia viveria como sempre viveu, modesto e não seria um país de fronteiras escancaradas..
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Olhando que Portugal possui uma longa costa com praias maravilhosas, os portugueses esperavam o turistas da Europa para gozarem as areias de Portugal, a culinária e os vinhos.
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Não me venham com cantigas e se pense que a União Europeia foi a salvação de Portugal.
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Eu e outros emigrantes salvamo-lo da falência (1981) de quando o primeiro-ministro Dr. Mário Soares, solicitou aos emigrantes portugueses, espalhados pelo mundo que enviassem as suas economias em divisas estrangeiras e corresponderam à chamada.
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O Estado Português pagou e com juros a todos. Hoje duvido que os emigrantes voltassem a fazer o mesmo.
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Mas afinal o que foi que Portugal lucrou? Se estamos nós e outros países, pobres, da União Europeia de “tanga”?
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No meu caso nunca confiei nos países ricos da Europa, nem tão-pouco do vizinho para lá da raia....

Ou Portugal sai de pronto da União Europeis ou então mais empenhado vai ficando e passar a pagar empréstimos primeiros, os dobles e os tri-juros e depois começam os ricos europeus a sugerirem para lhe vendermos “migalhos” do território, como chegaram aventar isso aos gregos.
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Ontem telefonei, da Tailândia, a uma minha irmã, velhinha, de uma aldeia da Serra da Estrela e diz-me: “olha já pouca gente cá mora, estão todos a morrer, as casas abandonarem e caírem os telhados”
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Essa aldeia, aonde eu nasci teve vida, rebanhos de ovelhas (100 pastores) para produzir queijo; alqueives de centeio, milharais nas terras baixas, vinhas e olivais e hoje está tudo abandonado.
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A minha aldeia tinha cerca de 2000 habitantes e hoje pouco mais terá de uns 200 cuja a maior parte são velhos.
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Quem será quem vai povoar aquela aldeia e cultivar as terras que sempre foram férteis por séculos.
Aqui fica pergunta à espera de resposta.
Saudações de Banguecoque
José Martins

Anónimo disse...

Além de que se me permite subscrevo pagando de bom grado direitos de citação primária"Gil"
Muito bem dito.
Isabel Seixas

ARD disse...

Senhor José Martins,
Ainda que "de tanga", como antes de si disse o actual Presidente da Comissão antes de rumar a Bruxelas, Portugal, mesmo "em último lugar" na UE na UE, continua a fazer parte das escassas dezenas de países desenvolvidos do Mundo, o que não acontecia em 1874.
Poderei ficar-lhe muito grato por o senhor, junto com outros emigrantes, ter salvo Portugal em 1981.
Isso não significa que, apesar de nosso salvador, tenha a mais pequena réstea de razão naquilo que diz nem que se aproprie, sozinho, de "amor Pátrio", quanto a mim mal entendido.