O almoço, há dias, num determinado contexto de convívio lúdico, corria de forma animada. Gente simpática, excelente ambiente, histórias e graças, bem-estar generalizado.
Neste tipo de encontros é muito raro a conversa derivar para a política. A boa educação recomenda que esse tema - tal como religião, questões de dinheiro ou o comentar negativamente pessoas ausentes que possam ser próximas de alguns dos presentes - seja evitado, por forma a não provocar desnecessárias divisões e potenciais conflitos. Ainda por cima em período de crise política e com eleições ao virar da esquina.
Um dos convivas, porém, talvez por se ter sentido, por distração, em ambiente de "like-minded", saiu-se com esta: "Não acham que seria muito mais eficaz se houvesse uma aliança pré-eleitoral do PSD com o CDS e com a IL? O risco assim é muito grande".
Não deixei pousar a bola e retorqui: "Essas coisas são sempre difíceis de prever. Mas é capaz de ter razão. Logo veremos. A mim, confesso, tanto me faz, desde que o PS ganhe".
A luz da sala era artificial. Não deu para ver se alguns sorrisos foram tão amarelos como pareceram.