- Que jornais diários franceses lê, embaixador?
- De manhã, o "Le Figaro", o "Libération" e o "Les Echos". À tarde, o "Le Monde".
- Não lê o "Le Parisien"?
- Só aos fins de semana e nem sempre. Acha que é um jornal que vale a pena ler diariamente?
- Sem dúvida! Eu começo sempre o dia pelo "Le Parisien". É um jornal simples, popular, que traz muito daquilo que o cidadão comum de Paris absorve, em especial sobre política nacional. E é muito equilibrado. Para se entender o que constroi a opinião média em Paris, passar os olhos pelo "Le Parisien" é essencial.
Depois desta conversa com Jacques Delors, o "Le Parisien" passou a fazer parte da minha leitura diária. E acho que fiz bem.
Um ou dois anos depois, num dos "dîners en ville" que eram o fatigante pão nosso de cada noite, quando vivia em Paris, conheci Thierry Borsa, então diretor do "Le Parisien". Contei-lhe o comentário de Jacques Delors. Ficou entusiasmado: "Ele disse isso?! Deu-me uma ideia: vamos procurar entrevistá-lo". Nunca apurei se o tentaram e se o fizeram. À época, Jacques Delors tinha já uma vida pública muito discreta e recolhida, escolhendo parcimoniosamente as suas aparições mediáticas.
Hoje, o "Le Parisien" trata assim a morte de Jacques Delors.
Podiam ter acrescentado: um homem que gostava do "Le Parisien"...
