quarta-feira, dezembro 06, 2023

Fronteira


Ao final da tarde de ontem, a convite da editora Tribuna da História, proferi no Palácio Fronteira uma intervenção no lançamento da edição renovada e aumentada do livro "Diplomacia Portuguesa - a organização da actividade diplomática da Restauração ao Liberalismo", da autoria da professora Ana Leal de Faria. 

O livro faz uma análise, muito interessante e bem documentada, desses primórdios da diplomacia portuguesa. Devo dizer, com sinceridade, que aprendi imenso sobre os meus antecessores longínquos na profissão e a natureza da sua ação. 

Procurei, naquilo que então disse, fazer um paralelo entre a prática dos agentes diplomáticos dessa altura, muito bem descrita no estudo, e os tempos atuais, sublinhando os fatores de continuidade e as imensas diferenças. Gostei do exercício, proferido perante uma audiência muito atenta, numa sala cheia, mobilizada pelo interesse na temática da História.

Para eventual surpresa de quantos não me conheciam bem, decidi começar a minha intervenção lembrando que tinha entrado pela primeira vez naquela casa, há quase 54 anos, para assistir a uma histórica reunião de forças oposicionista à ditadura, organizada, com grande coragem, pelo já desaparecido titular daquela casa, Fernando Mascarenhas.

Porque afinal a História era o cenário de fundo do nosso encontro de ontem, apeteceu-me usar o ensejo para lembrar, para a "pequena história", essa reunião naquele Palácio, no ano de 1969, onde estiveram figuras como Jorge Sampaio e Maria Barroso. Naquele que foi um ano de combate à fraude que acabou por ser a "primavera marcelista", aquela reunião política acabou por consagrar as já expectáveis divisões entre comunistas, socialistas e outros setores, num processo que veio a originar, pela primeira vez na história da oposição democrática à ditadura, uma ida às urnas sob diferente denominações - CDE e CEUD -  nas "eleições" de 5 de outubro desse ano, como se lembrarão os que têm idade, memória ou conhecimento. 

Na ocasião, optei por não contar, porque talvez fosse demasiado pesado para o ambiente que prevalecia na sala, que alguns dos participantes na reunião oposicionista acabaram "corridos" pela polícia de choque, chefiada pelo famigerado capitão Maltez.

5 comentários:

Flor disse...

Palácio Fronteira! Um dos mais belos palácios de Lisboa. Infelizmente nunca visitei.

manuel campos disse...


44 anos?

manuel campos disse...


Partiu sem querer...
Faltava o "Claro que abaixo está a data certa".

arber disse...

Lembro-me muito bem dessas eleições de 1969 em que, tal como em 1965, votei CDE.

Nuno Figueiredo disse...

homem de muitos interesses, o Marquês.

A casca da banana

Na política da Madeira, já chegámos à Madeira.