Há quase oito anos, num artigo que assinei no jornal "Público", intitulado "Falemos da América, não de Trump", escrevi isto:
"Mas o problema, desculpem lá!, não se chama Donald Trump, chama-se Estados Unidos da América. A América não é vítima de Trump, ele não é um epifenómeno que, “coitados!”, os americanos sofrem. Trump foi eleito pelos americanos, ele representa a América e é à América política – ao Congresso, aos Estados, aos nossos interlocutores institucionais, a cada diplomata americano que encontremos pelas esquinas da vida internacional – que devemos pedir responsabilidades por aquilo que Washington faz enquanto este presidente lá estiver."
Fui à procura daquele meu texto, porque, ao observar o modo como muitos olham hoje para Israel e para Netanyahu, dou-me conta de que alguns procuram assestar o olhar sobre o primeiro-ministro e desfocar a vista do país Israel, das suas instituições e da responsabilidade destas.
Quer Trump quer Netanyahu chegaram ao poder pelo voto popular. Se os cidadãos dos seus países tivessem querido, poderiam ter escolhido outros líderes para os representar. Não decidiram assim, pelo que não podem "lavar as mãos". E, em especial, quem os olha não pode "ajudar à festa".
Nos dias de hoje, Israel é aquilo que Netanyhau for. Separar os dois pode ser agradável a quem não quer mostrar-se crítico sobre Israel e quer atirar as culpas todas para Netanyhau. Mas não nos atirem areia aos olhos.