Agora que o coração de dom Pedro vai sair da Lapa (não do meu bairro, em Lisboa, mas da Irmandade da Lapa, no Porto) para estar no bicentenário do Brasil, lembrei-me de uma velha anedota, que creio que já aqui contei.
Em 1972, o presidente português, Américo Tomaz, nos 150 anos da independência do Brasil, deslocou-se aí de barco, numa viagem que ficou famosa, para oferecer, em nome de Portugal, os restos mortais de dom Pedro, embora o seu coração ficasse, para sempre, na “invicta cidade”.
A acidez crítica da "vox populi" não desperdiçou a ocasião para dar uma bicada no “venerando chefe de Estado” ou “supremo magistrado da nação” - uma nação então sob ditadura, convém nunca esquecer, porque isso absolve e legitima toda a ironia.
Foi assim inventado um diálogo, que teria ocorrido, a meio do Atlântico, entre a mulher do presidente, dona Gertrudes Tomaz, e o marido.
Perguntava a senhora: "Ó Américo, por que razão é que nós, em Portugal, dizemos dom Pedro IV e os brasileiros lhe chamam dom Pedro I?".
O almirante, a quem a lenda pública atribuía (injusta ou justamente, a olhar alguns dos seus inenarráveis discursos) alguma simplicidade mental, terá respondido: "Ó mulher, então tu não sabes?! É por causa dos fusos horários, que são diferentes..."

A Dª Gertrudes (Coitada), não foi aluna da Escola Naval!
ResponderEliminarMelhores cumprimentos Senhor Embaixador
Leão do Fundão
Muito boa!!
ResponderEliminarEu ouvi outra, também interessante, há muito tempo.
ResponderEliminarE a resposta teria sido: "Foi IV cá e I no Brasil porque perdeu os três cá em Portugal"!
Esta ficou célebre:
ResponderEliminarÉ a primeira vez que aqui venho desde a última em que cá estive.
O meu pai que foi enfermeiro na marinha, privou de perto com o comandante Tomãs como o (tratava) antes de ser almirante e presidente, tinha uma óptima opinião dele, como oficial da marinha honesto competente e sagaz, embora intovertido e ponderado. Nunca aceitou críticas de quem não o tinha conhecido e falavam por os outros ouvirem dizer.
ResponderEliminarÉ natural que com a idade fosse perdendo qualidades intelectuais e de avaliação, isso acontece com todos (os que lá chegam) e a Constituição republicana deveria ter em atenção a idade dos elegíveis para o cargo. Se estabelecem idade mínima devem estabelecer mãxima par o cargo.
Senão dá no que deu e não só em regimes ditatoriais. basta ouvir o quasi octogenário Lula da Silva. isto sem desmerecer o Bolsonaro que é mais novo e que o ultrapassa em dislates. Mas é assim a democracia,
Também se dizia que Tomaz foi o primeiro presidente que virou cangalheiro.
ResponderEliminarCaro Francisco,
ResponderEliminarEu ouvi dizer na altura que se tratava do primeiro enterro em que os ossos iam ao lado do caixão.
Um abraço.
JPGarcia