Conheci-o em 1975, através do meu primo e seu grande amigo Carlos Eurico da Costa, colega no Grupo Surrealista de Lisboa. Jovem diplomata, eu trabalhava no recém-criado setor da cooperação para o desenvolvimento. Cruzeiro Seixas tinha a intenção de ir como cooperante para a Guiné-Bissau independente. Falámos umas boas horas.
Há não muito tempo, retomámos essa conversa com mais de 45 anos, num jantar simpático de amigos. Recordo-me que gostou de ver, numa minha parede, um seu quadro. Tinha uma imensa lucidez e uma bela memória. Queixou-se-me de que, no sítio onde passava os dias, tinha pouca gente com quem pudesse ter uma conversa com interesse. Mas gostava muito da vida.
