domingo, setembro 08, 2019

Vegas

Um dia, algures por esta Europa, acompanhei uma importante figura política portuguesa (não interessa o nome, irrelevante para a história) a uma reunião com um seu homólogo. 

Era uma conversa sem agenda oficial. Entre ambos havia uma excecional relação pessoal e o encontro, apenas comigo e com uma outra pessoa como testemunhas, passava-se em tom de plena confiança, com discrição assegurada. 

Só nesse registo seria possível ao dignitário estrangeiro - que não ao nosso político, cuja contenção foi digna e notável - permitir-se fazer comentários fortemente depreciativos sobre colegas de outros países, ironizando com o respetivo perfil físico, fazendo insinuações sexuais, duvidando da sua capacidade intelectual, apostrofando-os a um limite de conversa solta de café. 

Eu estava abismado, confesso, mas o nosso político não estava menos. No final, recordo, ambos concordámos em, a propósito dessa reunião, e para sempre, usar o velho mote americano para momentos comprometedores: “What happens in Vegas, stay in Vegas” (o que se passou em Las Vegas, ficou em Las Vegas).

A vida, política e diplomática, tem destes momentos embaraçosos.

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