Um grupo de embaixadores estrangeiros, acreditados em Portugal, teve hoje a amabilidade de me convidar para, durante um almoço, lhes falar da situação política no nosso país, a escassas semanas das eleições, bem como da minha visão sobre os atuais equilíbrios na Europa, depois do último sufrágio para o Parlamento Europeu e no início de uma nova Comissão.
Para mim, tratou-se de um exercício muito interessante, porquanto, nas suas múltiplas e bem informadas perguntas, estavam projetadas as principais interrogações de quem nos olha de fora. Tentar responder a essas questões, centradas no que verdadeiramente interessa às chancelarias estrangeiras, é sempre um desafio curioso.
Na minha experiência lá por fora, constatei que os diplomatas estrangeiros são capazes, muitas vezes, de olhar as realidades dos países em que estão acreditados sob prismas que escapam aos cidadãos nacionais, porque sublinham aspetos que não fazem parte das prioridades destes. No diálogo que hoje acabo de ter, isso mesmo se confirmou, mais uma vez.
Terei sido útil para os meus interlocutores? Espero que sim, embora muitas vezes, quando falamos de coisas sobre as quais julgamos ter bastante informação, sejamos tentados a entrar num detalhe que se torna irrelevante para quem apenas quer desenhar um quadro geral, o qual, contudo, nem por ser simples deve deixar de ser rigoroso.
