sábado, 21 de setembro de 2019

Um debate


Ao final da tarde de ontem, participei, num “mano-a-mano”, com o historiador Rui Ramos, num debate sobre a situação política, nestas vésperas de eleições legislativas. 

Sem supresas, o encontro, organizado para os sócios e convidados do “Círculo Eça de Queirós”, sob a moderação da jornalista Maria Elisa Domingues, foi animado, quase sempre contrastante, e, claro, disputado com a elegância expectável. 

Sendo naturalmente suspeito para fazer uma leitura da conversa, que se prolongou por quase duas horas, intervalada com um jantar, arrisco poder dizer, em síntese muito genérica, que procurei opor, a uma leitura algo negativa de Rui Ramos sobre a dinâmica da sociedade política portuguesa contemporânea, que ele entende ter caído numa estagnação de projeto muito agravada pela governação da Geringonça, uma visão bastante mais “rósea” (em todos os sentidos...) e otimista do futuro, sem esconder algumas perplexidades que também partilho. Quem lê Rui Ramos no “Observador” sabe o que ele pensa, quem me lê por aqui também, pelo que me abstenho de ir mais longe.

A certo ponto, fui perguntado sobre se não temia uma maioria absoluta do PS (coisa que, aliás, não acredito que possa vir a acontecer). Confesso que não tenho “strong feelings” sobre o assunto - compreendo os argumentos de quem a defende como desejável, como igualmente respeito os de quantos temem esse modelo de governação. Porém, tenho a impressão de que muitos dos que hoje reagem contra essa hipótese o fazem por razões precisamente opostas às minhas: ainda me não passou o “trauma” das maiorias absolutas de Cavaco e da coligação troika/PSD/CDS.

(Explicação da fotografia: numa das portas do Círculo Eça de Queiroz figura, repetidamente, o nº 202, que recorda o “202, avenue des Champs Elysées”, suposta residência em Paris de “Jacinto”, figura central de “A Cidade e as Serras”, romance póstumo de Eça de Queiroz).

9 comentários:

aamgvieira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Penso que o número 202 no Circulo Eça de Queiroz tem a ver com o número de sócios desse Clube . Como sou sócio doutros clubes em Lisboa , donde fazem parte muitos dos sócios do Eça de Queiroz , não sou desse ( é que ser sócio de vários clubes é caro demais !!! ) mas frequento-o muitas vezes . E já agora uma constatação : em matéria de gastronomia é dos melhores , senão o melhor , e talvez o mais barato . Além de tudo o mais é simpático , cosy , etc , além do actual Presidente Pedro Rebelo de Sousa estar a fazer um óptimo trabalho .
Mas o Sr. Embaixador , se é sócio ( ou era convidado ) deve saber tudo isso .
Quanto ao debate , como não assisti , não sei o que dizer , mas conhecendo muitos dos sócios do Eça de Queiroz não acredito que concordassem com a sua opinião , podem ter fingido delicadamente ... é mais o género .
Cumprimentos

Pedro Furtado Correia disse...

Senhor Embaixador se «(...) o encontro, organizado para os sócios e convidados do “Círculo Eça de Queirós”, sob a moderação da jornalista Maria Elisa Domingues, foi animado, quase sempre contrastante, e, claro, disputado com a elegância expectável.» Eis o paradigma, modelo, para qualquer debate! O Senhor Presidente da República deve a meu ver continuar a pugnar para que assim seja! Até que «a coisa feia» está melhor, já se não ouve tanto «é mentira», «não é verdade», mas poder-se-ia dizer, calam-se mais frequentemente sem interromperem-se uns aos outros e sem insultos, «não aceito a sua interpretação» seria tão bonito...Onde é que já ouvi a expressão, o respeito acima de tudo?! Senão mata-se a democracia, frágil como ela anda já por esse mundo afora. Moderação senhores, moderação. Cumprimentos portugueses...


»

Pedro Furtado Correia disse...

aamgviera, também tenho essa sua tão vívida impressão.

Francisco Seixas da Costa disse...

Ao Anónimo das 8:34. De facto, 202 é o número de sócios, mas esse limite vem da razão que assinalei. Quanto às qualidades do clube, são essas mesmas, tem toda a razão.

Anónimo disse...

Rui Ramos é simplesmente insuportável! Não há pachora para o tipo!

Anónimo disse...

“ mas esse limite vem da razão que assinalei “...
Refere-se à figura de Jacinto do Eça de Queiroz e ao número “ 202 , da Avenue des Champs Elysées “ supostamente a residência de ... etc. O que não percebi é a relação que existe com o número de sócios do Circulo .
Cumprimentos

Francisco Seixas da Costa disse...

Ao Anónimo das 17:16. É muito simples: quando o CEQ foi criado ficou decidido que o número máximo de sócios era 202, como homenagem ao endereço fictício do Jacinto em Paris. Apenas isso.

Anónimo disse...

Obrigada pela explicação . Tantos anos a conhecer o Circulo e o seu número de sócios e nunca pensei ser essa a explicação .
Obrigado
Cumprimentos