“Vou estar num jantar com o Rui Moreira e o Souto Moura!”. A “piquena” afadigava-se, há duas horas, à saída de Lisboa, no Alfa Pendular, para que toda a gente tivesse conhecimento do serão de personalidades que, chegada ao Porto, a aguarda. Depois, mudou para espanhol e lá a ouvimos em tratações, na língua de Messi e Cervantes, com uma amigalhaça qualquer, durante um bom quarto de hora.
Agora, ao meu lado, um executivo de uma PME ou de uma “start-up” (ou“down”) explica longamente a um interlocutor, em voz altíssima, como deve “pôr a coisa no site” e onde está a chave da garagem. O outro, do lado de lá, parece pouco esclarecido, tantas são as vezes que este meu vizinho repete as instruções. (Eu fiquei a saber tudo).
Não se pode calar esta gente? A CP não pode colocar uns letreiros informando que os passageiros não devem fazer chamadas telefónicas dentro das carruagens (ou, se as têm imperativamente de fazer, fazê-las em voz baixa, sem obrigarem os outros a ouvirem as suas conversas), incomodando quem viaja, lê ou, simplesmente, quer aproveitar a viagem para descansar?
Nos “Bilhetes de Colares”, a mãe de A.B. Kotter, com a sua snobeira anglo-saxónica, referindo-se aos portugueses sem maneiras, dizia que “nem cem anos farão disto gente”. Não vou tão longe, mas lá que demora tempo, lá isso demora!
