A nossa conversa era sobre piscinas. Em Vila Real, não havia nenhuma piscina. À época, aprendia-se a nadar, sem um mínimo de condições de segurança, na levada de Codessais, do rio Corgo.
Os meus pais nunca tinham autorizado que eu fosse para o rio, onde já tinham ocorrido acidentes. Assim, eu acabara por aprender a nadar, em férias, na doca do porto de Viana do Castelo, onde uns voluntários ensinavam os miúdos. As condições também não eram as ideais, pelo que havia sido criado um movimento cívico para a construção de uma piscina pública para Viana (havia então apenas a piscina do hotel, no topo do monte de Santa Luzia). Eu explicava ao vereador vila-realense que o meu pai, muito ligado a Viana e sensível a um apelo feito por esse movimento, tinha oferecido um saco de cimento para a iniciativa, ideia que estava a ter ampla adesão. E fui perguntando ao meu interlocutor se não seria possível, em Vila Real, alguém vir a avançar com uma proposta idêntica.
O vereador sossegou-me: o município de Vila Real tinha já decidido construir uma piscina, aliás muito perto do tal lugar de Codessais, no rio Corgo, pelo que não estava previsto qualquer apelo para ajuda do público. As obras iam iniciar-se em breve. (Não tenho ideia de quando foram efetivamente efetuadas e concluídas). Felicitei-o e perguntei-lhe, por mera curiosidade, sobre qual iria ser o comprimento e a largura daquela que iria ser a primeira piscina de Vila Real. Para sempre guardei a sua resposta: "A piscina vai ser redonda. Se a fizéssemos retangular, haveria logo gente que queria ir para lá nadar de uma ponta à outra, impedindo as pessoas de tomar banho à vontade..." Bem visto!
