Rafael Ansón é, desde há muitos anos, uma figura muito conhecida da vida pública espanhola. Hoje com 87 anos, mantem-se como o "papa" da Gastronomia espanhola, que lhe deve um extraordinário trabalho de promoção.
Nessa área, Rafael já ocupou todos os lugares possíveis, até ter chegado a presidente da Associação Internacional de Gastronomia. Esteve presente em Lisboa, na passada semana, para participar na gala anual da nossa Academia Portuguesa de Gastronomia*, onde foram entregues os prémios anuais de cozinha, de escanção, de restauração e de divulgação mediática.
Rafael é seco de carnes, como alguns dizem. Andando ele, desde há muito, num vai-e-vem de eventos e, imagina-se!, almoçaradas e jantaradas, perguntei-lhe, um dia, numa refeição no Belcanto, como é que ele conseguia ter aquele físico equilibrado. Coloquei a questão com curiosidade mas também com inveja, confesso.
Riu-se e explicou o "segredo": "Numa refeição, em geral, eu como sempre pouco, mas como muito daquilo que é bom!" Nas vezes que nos voltámos a cruzar, constatei que Rafael Ansón, embora provando de tudo, evita aquilo o que seja lateral à essência do prato, todos os componentes que considere não essenciais. E, claro, é muito cuidadoso com o que come do resto, do "bom". É a arte de comer, enfim.
(* Porque se vive por aí uma cultura de inveja e de desconfiança, gostava de deixar claro que a APG é uma organização sem fins lucrativos, dedicada à promoção da gastronomia portuguesa, em que cada associado paga as suas quotas e o custo de participação nos eventos a que assiste. A APG nunca recebeu, naturalmente, um único centavo do Estado ou de qualquer 20/20 ou PRR...)
