segunda-feira, junho 12, 2023

Berlusconi


Um dia, um almoço em São Bento de um antigo primeiro-ministro português foi interrompido: uma chamada telefónica do seu contraparte italiano, Sílvio Berlusconi. O político português regressou minutos depois, com um grande sorriso, revelando o motivo da breve conversa. Berlusconi tinha acabado de vê-lo na televisão e queria dizer-lhe que a gravata que ele utilizara era inadequada, oferecendo conselhos na matéria.

Berlusconi, em todo o caricato do seu estilo, inaugurou um tempo novo na política europeia, um pouco como, mais tarde, na América, haveria de acontecer com o surgimento de Trump. Muitos líderes europeus que o foram cruzando têm histórias divertidas com ele, quase sempre marcadas pelo embaraço com que tentavam gerir as suas inusitadas abordagens.

Teve uma vida pública imensamente longa, com altos e muitos baixos, com vários escândalos, de diversa natureza, à mistura com a política. Nos dias de hoje, era ainda líder de um dos três partidos da coligação de poder, na Itália. Mas Berlusconi já andava ali há muito: recordo-me bem de uma velha "foto de família" dos líderes europeus, em Veneza, com ele a presidir à festa, ao lado de uma Thatcher visivelmente pouco à vontade com aquele inesperado parceiro.

Berlusconi morreu com 87 anos.

Escrevia Chirac em 2009

"Je ne suis pas de ceux qui pensent, en Occident, qu'on doit s'interdire tout dialogue avec l'Iran, étant donné la nature d...