sábado, 27 de março de 2021

RTP


Desde a sua criação, em 1955 (com emissões a partir de 1957), a RTP teve já 31 presidentes. O futuro presidente, como ontem foi anunciado, será o jornalista Nicolau Santos. O seu nome foi escolhido, por unanimidade, pelo Conselho Geral Independente da RTP, um órgão constituído por seis pessoas, do qual faço parte.

Na lista oficial dos presidente da RTP não consta, contudo, a figura de Teófilo Bento, o capitão que, na madrugada do dia 25 de abril de 1974, liderou a ocupação militar daquela estação, naquela que foi a primeira ação completamente executada pela Revolução de Abril. Durante alguns dias, Teófilo Bento foi, “de facto”, quem dirigiu a RTP. Tive o privilégio de assistir, “in loco”, como militar que então era, à sua atividade durante esses escassos dias.

A figura que surge nesta fotografia não será facilmente reconhecida pela generalidade das pessoas. Trata-se de Camilo de Mendonça (1921-1984), um engenheiro que foi, nem mais nem menos, o primeiro presidente da RTP. 

Personalidade de certa importância no Estado Novo, este transmontano teve uma carreira política interessante, tendo sido secretário de Estado, deputado, procurador à Câmara Corporativa e ocupado diversos outros cargos técnico-políticos de relevo.

Padrinho de Marcelo Rebelo de Sousa (não, o padrinho do atual presidente não foi Marcelo Caetano, contrariamente a um mito instalado desde há muito!), Camilo de Mendonça viria a ficar bastante conhecido por ter sido o criador, em 1964, do Complexo Agro-Industrial do Cachão, perto de Mirandela, que dirigiu.

Contudo, esse primeiro presidente da RTP não imaginaria, com certeza, que, precisamente uma década depois de ter criado o Cachão, a direção deste empreendimento viria a ser assumida, nesses tempos revolucionários, pelo capitão Teófilo Bento, o outro transmontano de que atrás já falei, líder da ocupação “manu militari” da “sua” RTP, no 25 de Abril, figura que há meses desapareceu.

O mundo é muito pequeno!

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