Uma senhora com ar de muito perturbada (coitada!), quiçá vítima do trauma psicológico da pandemia, ressuscitou, numa sessão qualquer que foi filmada, uma ideia que se cola ao velho mito de que ”os comunistas comem criancinhas”. Não esclareceu se é em “take away” ou “ao postigo”, fórmulas de serviço que, para mal dos nossos pecados da carne, teimam em nos estragar a normalidade dos dias.
Pena foi que não tenha também referido a requentada (mas muito verosímil) história de que “os comunistas matam os velhinhos com uma injeção atrás da orelha”. Sempre me fez impressão esta precisão de geografia corporal. Há tantos lugares no corpo onde se podem dar injeções com essas qualidades malthusianas e os comunistas logo foram escolher essa zona de cartilagens flácidas. Gostos!
A fábula espalhada pela excitada cidadã, ficou, além disso, e lamentavelmente, um pouco incompleta, porque é sabido, pela fiável memória popular, que o repasto com infantes, de que os “comunas” são regularmente acusados, se passa “ao pequeno almoço”, o que, gastronomicamente, como se sabe, faz toda a diferença.
Para ajudar à diversidade do menu “dessa gente” (e cito), aqui deixo agora a minha modesta contribuição.
Quanto à senhora, que, pelos vistos, está em ambulatório, apenas posso recomendar que tome os medicamentos à hora certa. Ah! E deve também tomar boa nota de que hoje muda a hora.
