domingo, 7 de março de 2021

Chega?

 


12 comentários:

Jaime Santos disse...

Não, não chega e ainda bem. Há mais duas medalhas de ouro, uma pelo lançamento do peso, de Auriel Dogmo, atleta nascida nos Camarões e outra pelo triplo salto masculino, de Pedro Pichardo, atleta nascido em Cuba. Só a Holanda fez melhor.

Se os nossos emigrantes nos enchem de orgulho lá por onde vivem, os nossos imigrantes também.

Parece-me que com gente assim, Portugal não corre o risco de definhar.

Já para certos lados, diria, em linguagem futebolística, que levaram com três secos. Tomem e embrulhem...

josé ricardo disse...

Para muitos, vai continuar a parecer que não Chega!

Luís Lavoura disse...

Concordo completamente com o comentário de Jaime Santos. Não chega nem é o mais significativo. Mamona é e sempre foi uma portuguesa. O mais significativo são os estrangeiros que se naturalizam portugueses. Alguns dos quais, negros. Como Auriol Dongmo.

Pedro Sousa Ribeiro disse...

O desporto português dá-nos estas alegrias de quando em vez. Mas temos que ter sempre em conta a limitada participação desportiva da população portuguesa, uma das menores, se não a menor entre os países da UE e os muito limitados apoios que o desporto português recebe, quer dos poderes públicos, quer da sociedade em geral, futebol excluído. E mais uma vez, no Plano de Recuperação e Resiliência a sua presença é bem limitada. Assim iremos continuar a ter um ou outro bom resultado ocasional, mas não fruto de uma política coerente de apoio à prática desportiva quer de base quer de base quer de alta competição.

Tony disse...

Fico contente pelas três medalhas de ouro por Portugal (duas atletas do Sporting e um do SLB). À parte da Mamona, quer a Auriel, quer o Pichardo, têm que aprender a entoar o Hino Nacional Português. Nem mexiam os lábios. Mas não há dúvida que são bons e grandes atletas. Mas também lembro que a Auriel Dogmo, ainda em 2016, representara o seu país, Camarões, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. Acho eu, que parece haver um certo oportunismo pessoal, em naturalizarem à pressa estes atletas, e anteriormente, outros: Nelson Évora, Pedro Pichardo, Naide Gomes, Tsanko Arnaudov Francis Obikwelo, Sergiu Oleinic, Shao Jiene, Luciana Diniz, Pedro Quintana (falecido há dias).

Jaime Santos disse...

Luís Lavoura, o facto destes 3 atletas serem de ascendência africana (presumo que Pichardo também o será, como muitos cubanos) não é sequer o mais significativo (peço desculpa pela gralha ao escrever o nome de Dongmo, é da falta de hábito :), espero que isso mude, porque quererá dizer que ela terá ganho muito mais medalhas).

Poderíamos também falar da açoriana Fu Yu no ténis de mesa (outra campeã europeia), nascida na China, ou de Tsanko Arnaudov, nascido na Bulgária, também no lançamento do peso (medalha de Bronze em 2016 nos campeonatos da Europa), por exemplo.

E claro, há mais tempo, de Francis Obikewlu, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004, a única vez, creio, que Portugal chegou ao pódio na velocidade.

O mais importante é que o País se enriquece porque soube receber estas pessoas ou os seus progenitores. E não são apenas os atletas, os imigrantes comuns contribuem muito mais para a Segurança Social do que recebem dela, por exemplo, é bom que nos lembremos disso. Pode não ser tão vistoso mas é muito mais importante para o bem-comum do que medalhas que podem fazer bem ao ego nacional, mas que de facto pertencem só a quem lutou por elas.

Agora, uma coisa é certa. O facto destes três serem negros com certeza que vai tornar a dor de corno em certas bandas ainda maior. E isso dá um gozo muito particular.

O Pedro Sousa Ribeiro tem toda a razão, o problema começa aliás na escola, quando vivi na Alemanha, a natação fazia parte do programa dos miúdos de 6 anos, que eu via entrarem na piscina onde tive aulas de manutenção... Mas por uma vez não pensemos nisso e vamos mas é celebrar estas medalhas, que são todas da cor certa, ou seja ouro...

Joaquim de Freitas disse...

E porque não ? Quantas medalhas de ouro, em todas as competições mundiais, os EUA conquistaram graças aos descendentes daqueles que um jornalista da MSNBC Chris Hayes , visto a situação histórica dos Afro-Americanos, descreveu como uma “colónia no seio duma nação”.

O “aproveitamento “ destas glórias do desporto vem de longe : Eusébio, Coluna e quantos outros… e é o que quer dizer o comentador Tony :” Acho eu, que parece haver um certo oportunismo pessoal, em naturalizarem à pressa estes atletas”.

Mas que importa! Como foi dito, para alguns “já CHEGA” e para outros será demais…

Mas os antigos colonizadores sabem manobrar no sentido que lhes convém. Então não vimos o rei Filipe II da Bélgica expressar recentemente "pesar" pelo regime brutal do seu antepassado, que causou a morte de 10 milhões de pessoas?

Colocar uma bandeira da República Democrática do Congo na estátua do Rei Leopold ou arrastar a estátua de Colston para o mar, onde milhares de mulheres e homens escravizados perderam as suas vidas, despedaçando as cortinas e as fronteiras entre o passado e o presente, a metrópole e a colónia. Insistindo na presença do passado, os protestos que vimos nestes últimos meses revelam o romance da Europa, desmascarando as suas conquistas políticas e económicas como produto da escravidão e da exploração colonial.

Assim, mais ou menos naturalizações, para colocar a bandeira do colonizador português sobre as costas duma bela atleta, procede do mesmo espírito.

Lúcio Ferro disse...

Tudo isto é muito bonito mas também igualmente hipócrita. Estes atletas foram nacionalizados porque são bons nos seus ramos de atividade altamente mediáticos e porque nos países de onde são originários, possivelmente, não teriam as mesmas oportunidades económicas que a Europa lhes apresenta. É oportunismo puro e duro; oportunismo da parte dos países que depois se enchem de peito com as vitórias "pátrias" e oportunismo dos atletas, que fazem, e bem, pelas suas vidas. Porém, então e todos os outros, que não são mediáticos nem atletas de alta competição, e que também fazem pela vida, muitas vezes trabalhando que nem mouros (no pun intended), tratados como merda e que contribuem para economia portuguesa (por uma vez concordo com o Lavoura) e que se for caso andam anos e anos para se nacionalizarem? Por mim, bardamerda com estas hipócritas "medalhas de Portugal".

septuagenário disse...

Se até a Rainha Isabel já tem bisnetos afrodescendentes, e não se gaba...!

Portugalredecouvertes disse...

Credo, se o assunto é positivo, se as pessoas ficam felizes, aqueles que finalizam vitoriosos, ganham as medalhas e os outros que os apoiam e aplaudem,
porquê comentários tão azedos ?!

maitemachado59 disse...



muito bem dito, Sr Joaquim de Freitas

maitemachado59

Jaime Santos disse...

Sr. Joaquim de Freitas, pergunte a Patrícia Mamona se ela não se sente Portuguesa... Oh, já sei que me vai falar da falsa consciência ou lá o que é...