segunda-feira, 15 de março de 2021

José Paulo Fafe


Por anos, só o conhecia “de ouvido”: dizia-se, unanimente, ser um “enfant terrible”! Era uma imagem irrequieta, polémica, que me ia chegando por várias vias, sempre a contrastar, nesse registo, com a figura serena e calma do pai, um grande senhor e um imenso democrata, que deixou muito boa fama pelos claustros das Necessidades e que ainda tive o privilégio de cruzar pelo mundo. O António Silva e o Nuno Brederode, dois amigos comuns que o tempo já nos levou, iam-me, entretanto, dando dele uma imagem divertida e risonha. Eu, que o via frequentemente misturado com figuras políticas que estavam longe de ser “my cup of tea”, ia guardando o meu juízo final. Lia-lhe a escrita, trazia “no sapato” uma partida que ele me tinha feito num espécie de “Gente” com que o “Tal & Qual” de outros tempos se divertia, olhava-o sempre à distância - intermediado pelos jornais ou revistas ou pelas redes sociais. Um dia, uma aventura improvável que a pandemia deixou a meio, levou-nos, por iniciativa dele, a algumas almoçaradas e reuniões, com outros comparsas. Foi o bom e o bonito! Só a muito custo conseguíamos, por entre mil historietas e notas contemporâneas, tratar do tema que ali nos convocava. E, nesse caminho de conversa, de gargalhadas e ironias, fomo-nos dando - uma expressão de que gosto muito. Cada vez mais, num percurso de entendimento que chegou à amizade. Desses tempos saiu o convite que me fez para escrevinhar uma introdução a um dos anos de uma recolha da sua escrita no Facebook. 2015, ano do “finis Cavaco”, da Geringonça e do início da nova era socialista-marcelista, coube-me em rifa. O texto lá está, quase a abrir o “Um Homem é um Homem, um Gato é um Bicho” (2015/2020), o livro de José Paulo Fafe que a Âncora agora “deu à estampa” (gosto desta fórmula clássica). Aconselho que o leiam, com proveito, abrindo ao acaso as suas páginas, porque a graça de um produto desta natureza é ser feito de textos, umas vezes curtos outras mais longos, onde se fala de tudo e, principalmente, de mais alguma coisa.

1 comentário:

maitemachado59 disse...

nao posso ler o livro, ate ir a Portugal no Outono. Mas nao estou de acordo com o titulo:

Um gato e um SER SUPREMO

maitemachado59