segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Jantar no Porto


Fui lá, pela primeira fez, nos anos 70. O local não mudou muito, mas a sala pareceu-me ontem bastante mais pequena do que a minha recordação tinha fixado.

A vista é deslumbrante, de longe a melhor do Porto, daquele 13° andar. A noite de ontem estava límpida, mas, de dia, o panorama deve ser ainda bastante melhor. À minha volta, só havia turistas.

Aquele edificio, hoje muito datado e já bastante decadente, era conhecido como a “Cooperativa dos Pedreiros”. O nome do restaurante é “Portucale”. A decoração permanece exatamente a mesma, com madeiras e cadeiras de couro, uma espécie de Gambrinus à moda do Porto, mas apenas no estilo. Hoje, no género, creio que está sozinho no mercado, depois que o velho Escondidinho se foi.

No final dos anos 80, fui ali acompanhar um membro do governo de então, num almoço com o presidente do Futebol Clube do Porto, para tratar de uma questão oficial. A certa altura, entrou na sala um pequeno grupo de pessoas, em que vislumbrei um grande amigo meu. Ele olhou para a mesa, fiquei com a sensação de que me tinha visto, saudei-o, mas ele não reagiu. Minutos depois, intrigado, levantei-me e fui à mesa em que ele estava sentado. “Ah! Estavas ali? De facto, pareceu-me ver-te, mas não acreditei que estivesses com aquela companhia...” O meu amigo é um furioso adepto do Leixões e o Futebol Clube do Porto continua, até hoje, a ser um dos seus ódios de estimação.

Foi simpático voltar ontem ao “Portucale”. A comida esteve longe de deslumbrar, mas o serviço foi muito atento, com empregados antigos e sabedores, num ambiente com um “charme” burguês que nos faz regressar algumas décadas atrás.