Recebo, com regularidade, mensagens indignadas de leitores, pelo facto de eu não abordar, em intervenções nas redes sociais, situações e temas que a eles os indignaram. No fundo, pede-se que eu partilhe, talvez para as amplificar, as suas indignações.
Nas últimas horas, fui zurzido, em mensagens no Facebook e em comentários quase insultuosos para o blogue, pelo facto de me deter aqui em “episódios grotescos”, como alguém “ter garrafa” num bar, ou fazer notas gastronómicas e incluir fotografias de iluminações de Natal, passando ao lado do assassinato do general iraniano ordenado por Trump ou das agressões a profissionais de saúde.
Entendamo-nos: isto não é um órgão de comunicação social, é um espaço privado de escrita. Se, de momento, nada tenho a dizer sobre a criança maltratada nas urgências de um hospital privado ou sobre o cidadão cabo-verdeano assassinado em Bragança, isso não significa que não esteja indignado com esses factos. Apenas revela que não tenho nada de relevante a dizer sobre isso e não quero massacrar o leitores com platitudes adjetivadas.
Escrevo para dizer aquilo que muito bem me apetece, como e quando me apetece. E vou mais longe: só por infeliz acaso o que escrevo coincidirá com os estados de alma de quem por aqui passa o tempo a indignar-se, com tudo e com todos.