sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Os dias difíceis de Timor


A meio da tarde de ontem, num livraria em Vila Real, comprei o livro “O Negociador”, uma longa entrevista da jornalista Bárbara Reis ao embaixador Fernando Neves. Agora, pela madrugada, lidas atentamente as suas 430 páginas, em cerca de quatro horas, dou comigo em “balanços”. 

Desde logo, para concluir que aprendi bastante com esta obra. Embora eu tivesse acompanhado, relativamente de perto, o processo negocial em que, sob a égide da ONU, Portugal e a Indonésia esgrimiram razões sobre Timor, verifico agora que me escaparam muitos aspetos fundamentais desse extraordinário trabalho negocial, através do qual Portugal tudo fez para que os timorenses tivessem o direito a decidir o que queriam fazer do seu futuro.

A segunda constatação a que cheguei é de que este livro pode ajudar a mostrar, se acaso isso for necessário, a importância de que se reveste, para o país como o nosso, o facto de ter ao seu serviço uma máquina diplomática competente, determinada, perfeitamente consciente dos seus objetivos e com a capacidade de saber instituir uma prática consequente e eficaz para os atingir.

Finalmente, devo dizer que fechei este livro com o reforçado gosto de ter feito parte de uma escola diplomática que produziu profissionais da qualidade do embaixador Fernando Neves, cuja intervenção no processo timorense prestigiou o nosso país e contribuiu para que assim pudesse ser escrita uma magnífica página da nossa história diplomática. Não vislumbro motivo para que o facto de ser seu amigo me obrigue a um qualquer ato de contenção ou modéstia.

4 comentários:

Anónimo disse...

Sem comentário: «Não vislumbro motivo para que o facto de ser seu amigo me obrigue a um qualquer ato de contenção ou modéstia.»

Anónimo disse...

Que pena a fotografia da capa do livro ser tão má e mostrar um FN a aparentar ter mais 10 anos ...

guilherme disse...

Oxalá que essa escola da diplomacia se mantenha pois Portugal bem está a precisar de pessoas que olhem ao interesse do país e não aos seus interesses pessoais e mesquinhos.

Miss X disse...

De modo algum pretendi com a partilha deste post do Ouriquense crucificar quem quer que seja. Congratulo o Francisco pela sua capacidade de leitura. Apenas considero que nenhuma leitura deva ser quantificada em horas, mesmo que à guisa de elogio implícito à obra que se leu.