A greve dos transportadores de combustíveis acabou. Pelo menos, por agora. Algumas pessoas encontraram na antipatia que lhes despertava o tom pomposo do (bem estranho) representante dos trabalhadores uma subliminar e oportuna justificação para disfarçarem o óbvio: o incómodo que a possibilidade de falta continuada dos combustíveis iria implicar para o seu conforto. Confesso, sem o menor pejo, que foi o que aconteceu comigo. O que eu não queria era a greve e, quando ela começou, desejava que ela acabasse rapidamente. Como, em especial em férias, raramente vejo um noticiário televisivo com som (alimento-me de rodapés), tinham-me escapado as razões salariais dos motoristas. Quando li qualquer coisa sobre elas, devo dizer que passei a ver a sua posição com mais compreensão. Isso também foi ajudado por ter ouvido uma declaração do representante das empresas, uma emproada personagem com ar grave, cujo nome agora me escapa e que logo achei, em termos de antipatia competitiva, ser um digno émulo do tal Pardal. Quem é que, afinal, tinha (a principal) razão? Não sei, tanto mais que não acho que um cidadão comum tenha de ter opinião sobre tudo o que mexe no país. Nesta crise, o que eu queria, muito simplesmente, é que a greve acabasse. Como ela acabou, estou satisfeito. Ponto.