É muito interessante assistir ao “bate-bola” entre António Costa e o Bloco de Esquerda, com a invocação, pelo primeiro, do nome de Jerónimo de Sousa e do PCP como o bom exemplo de parceiro que os bloquistas deveriam ter seguido.
Longe vão os tempos idílicos da Geringonça?
Longe vão os tempos idílicos da Geringonça?
O que mais irrita o PS, para além da escassa fiabilidade do partido de Catarina Martins, que os últimos anos evidenciaram, é o persistente discurso contra uma eventual maioria absoluta do PS. Costa pressente que essa conversa pode cair favoravelmente nos ouvidos de algum eleitorado que ”balança” o voto na sua margem esquerda. Sublinhar uma estudada hostilidade contra o Bloco é obrigar esses eleitores a fazerem uma escolha clara.
O que mais irrita o Bloco é a decidida falta de vontade de Costa de o levar para o governo, hipótese que ele sabe que conduziria a uma inevitável crise dentro do PS. Aliás, acho que, ao primeiro-ministro, essa possibilidade nunca lhe passou pela cabeça, atendendo também aos custos reputacionais que isso poderia ter para a imagem de moderação responsável que tanto trabalho teve para construir na Europa.
Os constantes gestos de simpatia face ao PCP são assim o elemento “compensatório”: Costa quer com eles mostrar que não está contra os partidos à sua esquerda, apenas quer pôr “en su sitio” o que não é fiável.
Vou repetir a pergunta: longe vão os tempos idílicos da Geringonça? Não necessariamente.
Se os resultados eleitorais o exigirem, a Geringonça, num qualquer modelo, pode renascer. Isto são apenas “jogos florais”, no caminho para as eleições.
Se os resultados eleitorais o exigirem, a Geringonça, num qualquer modelo, pode renascer. Isto são apenas “jogos florais”, no caminho para as eleições.