É óbvio que o PSD de Rui Rio e o CDS de Assunção Cristas vão apanhar uma forte “abada” em outubro. Poderão mesmo atingir traumáticos mínimos históricos.
Apenas então se ficará a saber se o PS terá quatro anos de maioria absoluta ou se precisará de um qualquer modelo de Geringonça para sobreviver como governo minoritário. Em definitivo, não acredito António Costa leve para o governo qualquer dos parceiros à sua esquerda.
Rui Rio vai inevitavelmente cair e o PSD “passista” vai voltar, quase de certeza com Luís Montenegro, que se diz estar já a tentar federar os descontentamentos criados pelo processo da construção das listas - que terá corrido pior do que expectável.
Montenegro (que não estará na AR) terá em S. Bento um grupo parlamentar inexperiente, (inicialmente) adverso e politicamente frágil. Um cenário ainda pior do que aquele que Rio enfrentou desde que foi eleito.
Porque o resto da direita (Ventura, Santana e os liberais da paróquia) não passará de isso mesmo, de restos, sem a menor expressão que não seja mediática, tudo indica que passará a haver um setor significativo do eleitorado que se verá sem uma representação institucional significativa.
Contrariamente ao que certa esquerda pode pensar, isto não é uma boa notícia para a saúde, a prazo, do sistema politico - mas não se pode pedir à esquerda que resolva os problemas dos seus adversários.
Era a isto que Marcelo Rebelo de Sousa se referia quando falava da crise que, para a direita, aí virá, depois de outubro. A grande questão é saber se, depois da sua reeleição, o presidente se sentirá tentado a intervir no seio da família política de que é originário. Mas essa é uma questão para 2021.
