Para o português médio, desporto é hoje sinónimo de futebol, de cujo mundo - figuras, transferências, resultados - é um "voyeur" sectário. É uma anormalidade que, no dia seguinte à abertura olímpica, as três capas dos diários desportivos estivessem cheias de futebol.
No passado, havia duas exceções a esta obsessão monotemática: o ciclismo da Volta a Portugal e o atletismo do meio-fundo e fundo, da escola de Moniz Pereira. Fora disso, o país é freguês pontual de qualquer outra modalidade - qualquer uma! - onde se vislumbre um êxito patriótico.
Diz quem acompanha estas coisas que o nosso desporto escolar é um desastre (não sei se é verdade) e que a banalidade esmagadora da nossa representação olímpica é disso um reflexo natural. Daí que seja de louvar quem ainda se consegue destacar, no meio dessa mediocridade de regra.